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    02 de Janeiro 2009 às 14:43

    O REPASTO

    A passagem de ano, pela primeira vez, foi a sós com a Francisca que, Graças a Deus (quem quer que Ele seja), à Xana e família e, se calhar, em alguma medida, também um bocadinho a mim, felizmente, tem vindo a crescer de forma tornar-se numa mulher espantosamente responsável, atinada, saudável, bonita e, curiosamente, com um sentido de humor e uma forma de olhar a vida e as coisas mais ou menos parecidas com a minha (ou melhor, não é bem parecida, mas existe entre nós o tipo de entendimento que chega a dispensar as palavras… o riso é fácil, generoso e acontece por motivos que são partilhados e que ambos entendemos da mesma forma). Foi uma boa e divertida passagem de ano, em casa, a ver televisão. O que, para muitos pode ser sinónimo de seca, para mim foi a melhor passagem de ano quer poderia ter.

    No dia 1, convidaram-me para o repasto que, na Árrábida, alguém “marcou”. Só quando lá cheguei percebi que o mesmo não tinha sido convocado pela Dona da Casa e, apesar de isso me entristecer, como eu tinha sido convidado e como também gosto muito dela, lá estive, encontrando amigos que não via, nalguns casos, há mais de um ano.

    Foi um dia triste e sombrio, apesar de ter estado com gente de quem gosto e que há muito não via e não foi só por causa da chuva que caia, mas também pelo desconforto sentido, daquele tipo que se sente quando nos vemos envolvidos em situações que fazem parte da intimidade de outros e com os quais não temos muito a ver, nem nos queremos intrometer (sobretudo por respeito).

    Como não sou gajo de partilhar minhas dores e insatisfacções com os outros (e, digam o que quiserem - que isso é mau, que não dvemos “interiorizar” as coisas, ec. - é assim que eu sou: o que é meu é meu, já sou velho o suficiente e vivo nesta solidão há tempo suficeinete para mudar agora) estou habituado a resolver meus problemas por mim e fico algo constrangido com os problemas alheios. Principalmente porque não tenho resposta para eles e não sei distribuir carinho e compreensão, como algumas pessoas. A verdade é que a vida não é bela, ao contrário do que muitos de nós gostamos de acreditar. Nem tem a poesia que nós, fazendo “das tripas coração”, fingimos que tem e o apego a memórias felizes da juventude ou o desejo de que o presente e o futuro contenham reproduções ou reconstruções dessa felicidade passada não é saudável.

    O presente é um ponto impalpável, imaterial, em constante mudança. O passado já lá vai e o futuro a Deus pertence (para um ateu, estou a usar esta palavra em demasia), pelo que viver nesse “passado feliz” ou em sua permanente evocação, é pouco saudável, como que uma espécie de recusa da existência, do envelhecimento, de que a vida se faz para a frente… E, no fundo, acaba por se tornar numa espécie de prisão voluntária que a muitos facilita a vida por lhes permitir viver uma ilusão, sem ter de encarar as suas vidas tais como são, nem que assumir o vazio existente em cada um de nós.

    A falta de novidades, o não crescimento, o sofrimento que transportamos em cada um de nós e as mudanças que todos os dias se operam em nós, são naturais e deveriam ser acolhidas com alegria, apesar de sabermos que o “corolário” de todo este processo, a cereja no topo do bolo, é um “sobretudo de madeira e uma cova no chão. Talvez mesmo por isso, pr sabermos que o nosso tempo aqui na terra é limitado, deveríamos aproveitar melhor e fazer de cada segundo um momento único.

    Compreendo perfeitamente a posição da Dona da Casa e reconheço que deve ser difícil a alguém que não está numa de se agarrar ao passado e que quer seguir com a sua vida em frente (seja lá isso o que fôr, na verdade, é coisa que só a ela diz respeito e pela qual só ela deve ser responsável.. copmo cada um de nós o é pelo “itinerário” que escolhe), arcar com o peso de uma “tradição” que há muito deveria estar morta, se não fosse ela.

    Trata-se de uma pessoa a quem devo mais do que talvez ela saiba. Alguém em cuja casa soube sempre encontrar uma porta aberta (a que recorri bastantes vezes) e a quem estou muito grato por isso. Mas reconheço, compreendo, aceito e respeito imenso a força com que demonstrou a sua vontade de mudança, de andar para a frente e nunca ninguém deveria ser obrigado a ser o anfitrião de uma festa que não tem vontade de viver…

    Pela parte que me toca, sempre recusei a imposição externa de comportamentos ou sentimentos. A amizade não pode ser uma tradição a que um gajo se acomoda. Ultrapassemos uma leitura superficial do que se passou ontem. É verdade que alguns dos meus amigos não estão bem (e cada vez são mais, infelizmente), mas, a verdade é que sempre que evitamos a nossa verdeira natureza, isso acontece - seja numa escala individual, seja em maior escala , na de um grupo de pessoas, de uma colectividade, de uma sociedade ou civilização. Se não somos quem somos, se fingimos ser outra pessoa, acalentar alegrias inexistentes, proximidades sem substância, etc. as coisas acabam sempre por correr mal.

    Confesso que o dia 1 de Janeiro de 2009 foi para mim um dia triste, mas mais do que lamentar-me por causa disso, acho que todos deveríamos pensar nisso. Afinal, queremos viver voltados para a frente, ou a andar de costas, sempre a olhar para o passado?

    A minha resposta individual já todos sabem: a amizade, repito, não é uma tradição…

    Desculpem-me lá qualquer coisinha.

    Bom 2009!

    17 de Dezembro 2008 às 14:00

    O NICK DE CADA UM

    …Uma ideia me ocorreu, não sei se será do agrado de todos… Mas lendo este Blogue e encontrando eu por aqui alguns nicks que não sou capaz de associar com toda a certeza aos seus “donos” (limito-me a suspeitar quem são, mas sem ter absoluta certeza, como sucede no caso do 13) e outros que sei estarem ligados a “alcunhas” com barbas brancas (como é o caso do Holof), mas cuja origem desconheço (duvido que andasses com um holofote atrás, para te atribuirem tal designação), venho aqui sugerir que os interessados preparem uma história (real ou ficcionada) a contar-nos quem são, como nasceram ou apenas um episódio engraçado relacionado com as “personagens” que dão pelos nomes de todos estes “estranhos” assinantes do conjunto de posts contido aqui neste blogue… Pode até ser um conto ou uma estória de Natal, porque não?!?

    Pode ser uma oportunidade para dar asas à imaginação… Não acham?

    No meu caso, não a publico já, apenas adianto que o Nakata é um solitário velho japonês, um espírito simples tornado ainda mais lento por um acontecimento que abordarei numa outra altura e que fez dele alguém incapaz de se “encaixar” lá muito bem neste mundo acelerado de “espertalhões”. Tem, no entanto um talento muito especial: consegue comunicar com os gatos (melhor do que com as pessoas).

    É uma criatura capaz de viver com muito pouco (no findo, ele basta-se a si próprio e, se ninguém o incomodar, ele também não incomoda ninguém… é que nem se dá por ele, porque é uma pessoa sossegada que gosta de levar a sua vida à sua maneira), que nada exige a ninguém e que passa despercebida. É independente, vive num mundop que é só seu e, um destes dias, quando puder, pode ser que publique aqui mais umas coisas a seu respeito… isto é, se lhe apetecer, já que o Nakata quando fala, normalmente, é mais para si próprio (e, às vezes para os gatos) do que para as outras pessoas… até porque sendo alguém simples, poucas são as vezes em que se consegue fazer entender, pelo que na maior parte das vezes nem se dá ao trabalho de dizer nada a ninguém…

    E vocês, quem são?

    16 de Dezembro 2008 às 10:07

    Antes de ontem foi inaugurado, no Arco do Cego, um monuimento de homenagem a Jorge Luís Borges. Nesta quadra natalicia (que eu, por razões diversas abomino, mas en relação à qual ando a fazer algum esforço para lhe adoptar o espírito original e superar meu mau feitio) em que a boa vontade deve imperar, aqui vai um poema do escritor cego que, por vezes, via mais do que muitos de nós com os dois olhos em bom estado

    Poema aos amigos

    Não posso dar-te soluções
    Para todos os problemas da vida,
    Nem tenho resposta
    Para as tuas dúvidas ou temores,
    Mas posso ouvir-te
    E compartilhar contigo.

    Não posso mudar
    O teu passado nem o teu futuro.
    Mas quando necessitares de mim
    Estarei junto a ti.

    Não posso evitar que tropeces,
    Somente posso oferecer-te a minha mão
    Para que te sustentes e não caias.

    As tuas alegrias
    Os teus triunfos e os teus êxitos
    Não são os meus,
    Mas desfruto sinceramente
    Quando te vejo feliz.

    Não julgo as decisões
    Que tomas na vida,
    Limito-me a apoiar-te,
    A estimular-te
    E a ajudar-te sem que me peças.

    Não posso traçar-te limites
    Dentro dos quais deves actuar,
    Mas sim, oferecer-te o espaço
    Necessário para cresceres.

    Não posso evitar o teu sofrimento
    Quando alguma mágoa
    Te parte o coração,
    Mas posso chorar contigo
    E recolher os pedaços
    Para armá-los novamente.

    Não posso decidir quem foste
    Nem quem deverás ser,
    Somente posso
    Amar-te como és
    E ser teu amigo.

    Todos os dias, penso
    Nos meus amigos e amigas,
    Não estás acima,
    Nem abaixo nem no meio,
    Não encabeças
    Nem concluís a lista.
    Não és o número um
    Nem o número final.

    E tão pouco tenho
    A pretensão de ser
    O primeiro
    O segundo
    Ou o terceiro
    Da tua lista.
    Basta que me queiras como amigo

    Dormir feliz.
    Emanar vibrações de amor.
    Saber que estamos aqui de passagem.
    Melhorar as relações.
    Aproveitar as oportunidades.
    Escutar o coração.
    Acreditar na vida.

    Obrigado por seres meu amigo.

    Jorge Luís Borges

    20 de Novembro 2008 às 15:53

    FAZER PARTE…

    21 de Outubro 2008 às 17:29

    Para variar, apeteceu-me falar de Carros


    Nos anos 1950 todas as marcas de automóveis americanas parecem ter aderido entusiasticamente a um tipo de design futurista, adesão em que a Ford foi pioneira logo no início da década. Nos anos que se seguiram, os automóveis saídos das fábricas da Chrysler, da Pontiac, da Buick, da Dodge, da Cadillac, da Chevrolet, etc. procuravam deliberadamente criar para os seus veículos uma imagem arrojada inspirada sobretudo na aeronáutica, esperando dessa forma evocar uma ideia de velocidade e de elevadas performances. Os nomes de alguns dos modelos eram tão sugestivoscomo: Jet, Stratostreak, Falcon, Flight-Sweep, Dart, Golden Rocket, Cyclone, Flite Wing, para citar apenas alguns.
    Foram anos loucos, sem dúvida, em que ainda não existiam grandes preocupações ambientais e em que à criatividade podia ser dada rédea solta; pareciam não existir quaisquer limites para a imaginação e tudo era possível. A olhar para estes automóveis com nostalgia somos levados a pensar, fatalmente, que hoje em dia os carros se tornaram num produto monótono, todos iguais, passando a fonte de inspiração da aeronautica para os electrodomésticos …
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