09 de Outubro 2008 às 06:59

TOLERÂnCIA

Vejo pouca televisão, não me atrai. Mas quando vejo, vejo por vezes  belos spots publicitários.

Este que segue já o tinha visto há um tempo, gostei imenso, mas não o tinha conseguido encontrar de modo a poder mostrar. O segundo, vi-o ontem pela primeira vez.

São spots que se dirigem ao INDIVÍDUO , muitas vezes esquecido , pois foca-se mais a atenção para o grupo, para o mundo. E eu acredito que antes do grupo ou do mundo , há a pessoa, o EU, que tem que ser bem tratado, bem educado, bem amado, para daí poder partir para o que o rodeia.

São vídeos editados por The Way Of Hapiness, da qual não sei muito.
Mas gosto , empatizo com a mensagem.


15 Comentários

  1. xinha no dia 9 de Outubro de 2008 às 10:26

    sobre a 2ª – passo a vida a observar isso: a maior parte das pessoas vive assim, rabugenta por natureza ou sempre a reagir com má disposição á má disposição dos outros. E é muito fácil deixar que isso aconteça. Alguém que nos trata mal e nos deixa fulo, desencadeia uma onda que vai por aí desenrolando-se e atingindo toda a gente. É preciso estar atento, porque é tb muito fácil evitar essa propagação.

  2. Maio no dia 9 de Outubro de 2008 às 13:32

    Boas escolhas! Há que pesquisar mais sobre os produtores!
    Sobre o 2º é isso mesmo. É terrível constatar como somos vulneráveis ao mau génio… É preciso estarmos mesmo muito atentos e não hesitarmos em pedir desculpa aos mais fracos.
    Quanto ao 1º… tem imagens bonitas e concordo com a mensagem apenas parcialmente. Eu nunca respeitarei as crenças de quem espalha a peçonha do ódio e da ignorância. O respeito faz todo o sentido quando as religiões não se entretêm a lançar sentenças de morte sobre os herejes ou a por bombas, ou a querer impor a superioridade das suas verdades, dos seus dogmas e a denegrir o conhecimento… Isto significa que, por princípio, não tolero a tolerância para com os intolerantes.

  3. Maio no dia 9 de Outubro de 2008 às 15:23

    ALERTA SEITAS
    Fui ver os produtores e beuh… São cientologistas (ATENÇÃO ACHTUNG PERIGO DANGER) – uma igreja/seita especializada em travestir peçonha com ficção científica dando-lhe ar de “ciência”. Estes são do mais nojento que há, mas isso não invalida o valor da mensagem – respeito, tolerância, etc., ou seja: tudo aquilo que os acólitos desta seita fundada por Ron Hubbard nunca praticaram. Ao meu amigo Paulo, fecharam-no à chave numa sala com um daqueles “monitores” que “auditam” as suas vítimas e perseguiram-no meses a fio, seguindo-o na rua e telefonando-lhe diariamente. Há n reportagens de jornalistas sérios a denunciarem estes escroques, as práticas de coacção e “lavagem ao cérebro”, a disciplina militar e as suas ridículas fardas. Jacques Bergier, sobrevivente de Mauthausen e co-autor de Le Matin des Magiciens”, escreveu num dos seus últimos livros que, se pudesse, de bom grado dinamitaria o Yate do Ron Hubbard junto com o seu proprietário. E falava a sério

  4. Margaridaa no dia 9 de Outubro de 2008 às 15:39

    Sim, eu já estava à espera disto,mas para mim o mais importante é a obra, para além do autor. Nada do que disseste diminui o conteúdo destes dois vídeos, nem dos outros que se podem ver no site. E, depois de se ver as notícias, onde se fala de crise e de dinheiro e de dinheiro da crise, onde se fala dos combates baixos entre os dois adversários americanos, onde…sabe muito, muito bem ver isto. (Nada te diz para seguires ninguém, a neta de Picasso diz (escreve) que ele era uma peste, e no entanto há a obra!)

  5. xinha no dia 9 de Outubro de 2008 às 16:34

    Sim. A obra pode viver por si, ter uma autonomia própria. Mas não deixa de ser chocante, ou até o é mais ainda, quando se descobre que os autores eram afinal uns grandessíssimos escroques. Se a ética não tem nada a ver com a obra, temos aí certamente um embuste.

  6. xinha no dia 9 de Outubro de 2008 às 16:47

    Essa de não ser tolerante com a intolerância, é o mesmo que dizer que tb se é intolerante. Eu tb hei-de sempre defender as boas práticas, e denunciar as que podem estragar a vida dos mais incautos, e já me lixei muitas vezes por isso. Mas quero acreditar que as pessoas burras e idiotas que às vezes são, o são porque ainda não descobriram outras formas de ser. E sendo assim.. há que ter sempre, muita, muita paciência…o que nem sempre é nada fácil…

  7. Maio no dia 9 de Outubro de 2008 às 19:09

    margaridaa, tens razão, mas também é assim que as seitas arregimentam fiéis e atraem vítimas. É sempre com uma mensagem linda, bonita, inócua e sem nada de estranho; uma mensagem feita para atrair e não levantar suspeição, que se espalha pacificamente (wolf in sheep clothing…).
    xinha das 16:34: tens razão. A questão colocou-se-me há tempos a propósito dos blogs que têm música do Oliver Shanti, que se veio a descobrir ser um pedófilo com cadastro e procurado há anos pela justiça alemã. Eu mandei mensagens a denunciar a situação e um deles acabou por me dar razão e retirou todo o material.
    xinha das 16:47: a questão é: se toleras os intolerantes, os que não toleram as tuas ideias, eles acabarão por te destruir. Foi assim na Alemanha dos anos 30. Por isso eu concordo com a proibição de quaisquer manifestações públicas organizadas da parte de racistas, fascistas e quejandos; concordo com a proibição da mutilição genital de crianças de sexo masculino ou feminino, sejam judeus ricos ou “animistas” pobres, etc. Tás a ver o ponto?

  8. Margaridaa no dia 9 de Outubro de 2008 às 19:32

    A atracção é qualquer coisa de separado, é a necessidade das pessoas seguirem qualquer coisa, é a necessidade que as pessoas sentem para “reparar” a sua solidão. Digam-me, vocês, que eu tenho em conta de pensarem pelas vossas cabeças, depois de verem os vídeos, sentiram necessidade de seguirem seja o que for?Ou quem for? Acho que este assunto teria pano para mangas.
    Certas publicidades são muito mais “agressivas” e manipuladoras.
    Não consigo desligar desta ideia : do homem separado da obra. E que o importante é a alquimia que se estabelece entre o “espectador” e a “obra”, e não entre o “artista” e o “espectador”.

    Quanto à tolerância, (e claro que os casos que referiste são extremos, não era bem isso), …é importante não esquecer que cada um está convencido que tem razão, e é aqui que sinto que tem que haver abertura, senão …as coisas correm como sempre correram : mal!

  9. Margaridaa no dia 10 de Outubro de 2008 às 7:34

    …e queria acrescentar : quando se sente o processo criativo em acção, consegue-se verificar que é um estado “alterado”,que transcende. É uma coisa magnífica, que só sinto (e é pena) , poucas vezes.

  10. xinha no dia 10 de Outubro de 2008 às 10:49

    Maio: eu tento separar as águas, as pessoas dos seus comportamentos. As práticas são condenáveis, as pessoas não. As práticas podem mudar, as pessoas continuam.
    Margaridaa: há ensaios volumosos sobre esses assuntos, a obra, a arte, o artista….Eu penso que não podemos dissociá-los a partir do momento em que tomamos conhecimento da história, da obra ou do seu autor. Até lá somos inocentes. Mas se nos contarem o que está por detrás, a nossa visão muda invariavelmente. Ou confirmamos o nosso gosto, ou passamos a gostar mais, ou pelo contrário, passamos a achá-lo odioso.

  11. Maio no dia 10 de Outubro de 2008 às 12:51

    margaridaa: claro que não temos necessidade de seguir nada, mas há muitos fracos no mundo que pagam bem caro o que para nós é apenas paisagem. Quanto aos que estão convencidos que têm razão, esse é que é mesmo o problema, pois quando estou doente não vou à cartomante, ao astrólogo, à Igreja da Cientologia ao guru ou ao Padre, vou ao médico porque aceito que séculos de pesquisa científica dão resultados verificáveis e acho que quem conhece as leis da física, a química, a organização e o funcionamento do mundo vivo não só está convencido que tem razão como, em mais de 90% das vezes, tem mesmo razão. Infelizmente, há muita gente que está convencida que tem razão porque julga que existem deuses, anjos, discos voadores, mestres ascensionados (e mais um rol infinito de produtos new age vendáveis e susceptíveis de dar lucro e de nos desresponsabilizar) que são detentores da verdade. Eu não proibiria nada disso e até gosto do folclore… Quando vejo velhinhas testemunhas de Jeová, arrastando-se ao frio e à chuva para entregarem revistinhas com “a palavra de deus” até sinto uma enorme compaixão… Sou até muito tolerante com as crenças dos outros, mas não queiram vir ensinar peçonha às crianças e enganar o próximo com pseudo terapias e pseudo psicologias e indigos e bleeps e outras espiritualidades de pacotilha destinadas a esvaziar os bolsos dos fracos e dos mais necessitados. Em resumo: já falámos disto tudo.
    Xinha: discordo em absoluto – as pessoas não são separáveis dos seus comportamentos e das suas práticas.

  12. xinha no dia 10 de Outubro de 2008 às 17:08

    Maio: não acredito! será que andas sempre em guerra com um monte de gente? ou és muito ingénuo e não topas nadinha das pessoas? ou será que não concebes a ideia do perdão?

  13. Maio no dia 10 de Outubro de 2008 às 18:13

    Xinha, antes de te responder preciso que clarifiques qual o nexo entre as tuas perguntas das 17:08 e o que eu escrevi – mas em três tempos e para não deixar dúvidas: não ando em guerra com um monte de gente (apesar de haver para aí uns gajos que decidiram zangar-se comigo depois de ouvirem duas ou três verdades), não me considero ingénuo e não só concebo, como pratico, o perdão.

  14. xinha no dia 10 de Outubro de 2008 às 19:59

    O que tu escrevste foi: discordo em absoluto – as pessoas não são separáveis dos seus comportamentos e das suas práticas.
    A m.pergunta é: então como consegues viver em paz? Eu não conheço uma única pessoas que nunca me tenha decepcionado. Ou que não tenha tido um comportamento reprovável (bem, talvez conheça algumas, mas o mais certo é que viesse a descobrir com o tempo). Todos temos um lado mais obscuro, certo?
    Ora, se eu identificar esta criaura, com este ou aquele comportamento idiota, vou sempre olhar para ela vendo esse mesmo comportamento, e vou à partida agir em função disso. Se pelo contrário, tentar olhar para ela como alguém que foi adquirindo ao longo da vida estratégias e esquemas de defesa malucos… consigo aceitá-la a até lhe perdoar todas a parvoeiras.
    Claro que há gente que persiste teimosamente em parvoeiras de todo o tamanho. Que preserva o seu lado mais negro com muita afeição. São as mais complicadas, mas enfim… se puder, tento traze-la à razão (quase sempre falho), e depois se me apercebo que a coisa não dá, que é difícel a reviravolta, mantenho a distância. Mas não a arrumo na prateleira dos malditos, e guardo sempre a esperança que um dia possa mudar.
    Resumindo: se podemos mudar ao longo da vida, nos livrar de coisas más, e os outros também, então isso não tem que corresponder a um aspecto fixo da nossa identidade. É separável

  15. Maio no dia 13 de Outubro de 2008 às 18:04

    Desculpa lá, mas essa é uma doutrina confusa, que faz depender o perdão de um artifício ilusório e perigoso. O que se passa é que existe o tempo e os actos passados que perdoamos porque nos podemos distanciar deles. Eu não separo o Pinochet dos actos que executou e mandou executar e, neste caso, nem com o tempo e a vê-lo velho e doente, lhe perdoei os crimes que cometeu. Não existe uma pessoa metafísica, abstracta, de um lado e os seus actos do outro. Não são dissociáveis. Nós definimo-nos pela acção e somos (não só, mas sobretudo) o que fazemos. Por isso está escrito: pelos seus actos os conhecereis.

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