05 de Maio 2009 às 06:44
Há coisas que não me tocam.
Há outras que sim. E que me fazem sempre reagir. Não me vou alargar sobre este tema, tenho dito o que penso aqui e ali (sobre o negativismo, que é uma forma de chamar a atenção, repare-se, quando duas pessoas se encontram, do que falam? Do mal. Do alheio, de preferência, é um assunto que excita, e uma pessoa sente-se tão virtuosa, mas ó tão virtuosa, a falar daquilo que está mal, pode-se falar sem se envolver, pois nada pode mudar.)
Não tenho o dom da palavra, nem o conhecimento para citar mil fontes, mas deixo aqui uma música, que diz o que me apetece dizer, por mim.

















10 Comentários
xinha no dia 5 de Maio de 2009 às 10:16
Percebo-te. mas há pessoas que fazem disso culto: Ai a m.vida! Ai, ai, que tenho tantas preocupações!! tantas coisas que me ralam! esta expressão é dum cliente.. eu até lhe acho piada.
Eu própria quando vivo coisas dificeis e preciso de falar delas para desabafar, para ouvir outras opiniões, me sinto uma chata com o peso dos meus problemas. como se estivesse a enchê-los, os amigos, de histórias tristes, que maçada! Mas a verdade é que há um lado negro em todos nós, e na vida, que pesa, chateia.. Temos que aprender a viver da melhor maneira possível com isso, suponho.
Maio no dia 5 de Maio de 2009 às 10:31
Liiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnndo!!!
Ó margaridaa, essa cena que tu chamas “negativismo” devia ser mais bem definida, porque deve haver quem seja induzido em erro pela expressão… Os posts do Maio, por exemplo, quando dão a conhecer problemas do mundo… – é isso que tu chamas negativismo, não é? Alerta para a fome, para a tortura, para a injustiça…?
Mas a necessidade de precisão decorre apenas disto – um exemplo: quando nós dizemos… “o rastafarianismo” sabemos do que estamos a falar, mas aqueles a quem se refere essa palavra que pacificamente utilizamos não se reconhecem, como eles dizem, em “isms and schisms” e não falam, por isso, de “rastafarianismo”. Ou seja: a opinião dos agentes sobre as suas práticas, comportamentos, etc. deve ser levada em conta, hein? De igual modo, o “negativismo” de que tu falas, do meu ponto de vista não se adequa à minha visão do mundo. Adoro a vida, incondicionalmente mas não excessivamente, porque apegos mundanos já temos que cheguem. As coisas que se devem classificar como “positivas”, na oposição que sugeres ao “negativismo”, são óptimas. A música, a arte… é expressão da vida, mesmo quando tem motivos e cores sombrias, em Goya, ou regurgita de sentimento e cor como em Chagall, quando carrega o peso existencial do mais fúnebre ou raivoso andamento de uma qualquer sinfonia, de Mahler ou Beethoven… ou quando nos amolece em lágrimas de êxtase a ouvir o duduk de Djivan Gasparyan, ou…
… simplesmente nos deixa satisfeitos, com este wonderful world cantado pelo grande Louis Armstrong, com tanta melancolia, tanta beleza… Como quem vê o Mississipi e as nuvens no céu de New Orleans…
(ah – o “negativismo”, seria, por exemplo, mudar agora de conversa para o furacão Katrina e para a destruição recente de New Orleans e para a “doutrina do choque” da Naomi Klein, não era?…)
Margaridaa no dia 5 de Maio de 2009 às 15:49
Pois.Pois foi o Maio que me inspirou este post.E Uma das diferenças entre mim e Maio é que Maio tem o dom da palavra e eu não tenho.
Vou tentar explicar : eu sei que há um monte de problemas por esse mundo fora.Sempre foi assim e com a comunicação que existe, muito mais informados ficamos sobre isso.Em relação aos problemas, àquilo que corre mal, considero o seguinte : Não se pode andar a vida toda a carregar com o mundo às costas.Somos responsáveis por aquilo que somos, pela nossa vida. Podemos falar num problema, se a seguir procurarmos uma solução directa.Ou indirecta. Falar de problemas que existem de uma maneira pessoal, sem serem pessoais, visto que não lhe podes tocar, considero que seja carpir gratuitamente.Já o disse aqui muitas vezes : eu dou valor àquilo que inspira, recuso absolutamente pesos que não quero nem posso carregar. Injustiças, mais isto, mais aquilo, eu sei.Só posso ser responsável por mim e por aquilo que me rodeia.E ser o melhor possível. Diz-me, Maio, que resultado pensas tu alcançar, com vídeos cheios de miséria (aquele que desapareceu), posts fundamentalistas e unilaterais contra os carros e por aí.Confesso : em tempos de festejos, fiquei um bocadinho irritada com o tom. Quase me sinto mal por me sentir bem, feliz.
Eu sei, falei falei, mas o que eu quero transmitir não consegui.Mas vou deixar de comentar esse género de posts.Não leva a nada.(É como nos noticiários, quanto mais tragédia melhor.)
Não confundir com problemas pessoais dos amigos, em que falar sobre e encontrar soluções é diferente.Aí, pode-se sempre contar comigo.
Na, não contem comigo, para esse espírito não!
Maio no dia 5 de Maio de 2009 às 16:53
Percebo bem o que dizes. Cada um se defende como pode…
Mas rejeito liminarmente a ideia de “posts fundamentalistas e unilaterais contra os carros” que me atribuis, e rejeito também o que se deixa adivinhar por detrás do teu uso da expressão “esse espírito” quando aplicado aos posts do Maio Maduro Maio. A festa do blog a que aludes, por te ter provocado irritação, consiste apenas no compromisso de fazer um post por dia. É apenas uma festa de comunicação mais intensa no ciclo de vida do blogue. Não há nenhum “espírito” nem nenhum “negativismo”, que não o de partilhar, dar a conhecer, sugerir ideias, reflexões de modo mais intenso do que durante o resto do ano.
Mas a avaliar pela tua opinião, calculo que não me sirva de nada esta justificação, não é? Pois eu também sei isso muito bem: as nossas visões do mundo interceptam-se nuns pontos e repelem-se noutros… Como símbolo adequado de coisas que ora partilhamos e ora nos afastam, escolheria aquele belíisimo clip do youtube em que a Joan Baez canta Prison Trilogy, postado no MMM a 15 de Dezembro de 2008 (confesso que, na altura, estranhei não ter um comentáriozinho teu, snif…)
Finalmente, chamo-te a atenção para o seguinte: se eu qualificasse os pontos em que discordamos recorrendo a expressões que, em sentido oposto ao tal de “negativismo”, se equivalessem aos que usas comigo – tipo… “fundamentalismo” – ia ser um insulto, já pensaste nisso?.
Margaridaa no dia 5 de Maio de 2009 às 17:03
Hum….isto merece mais uma resposta cuidada.Que agora não posso dar, fica para mais logo.Uma coisa é certa: é normal que alguns pontos não se toquem, é mais que normal.Eu já sabia que não ia conseguir passar correctamente a minha ideia. Porque, para além de todas as outras razões que me levam a considerar-te importante para mim, (uma longuíssima amizade), também aprecio tudo o que me mostras. A palavra “fundamentalismo” não foi usada para ofender.Assim que puder volto a pegar no fio da meada.Até já.
Margaridaa no dia 5 de Maio de 2009 às 17:58
Bom, entre entre o jantar que está pronto e jantarmos, aqui venho eu.
1 ESPECTATIVAS É verdade, eu na minha cabeça pensava que ia haver festejos em MMM.Festejos a celebrar mais um ano, festejos com coisas…como definir…próprias dos festejos.O ser humano é assim, cheio de espectativas.
2 Fui ver no dicionário e não encontrei definição para “fundamentalismo”, por isso , se isso te ofende, peço desculpa e passo a explicar o que queria dizer : o exemplo do carro, é um bom exemplo.Quando a leitura se faz só de uma maneira, não é a boa leitura.Concordaria contigo se desses uma visão mais alargada. Todos sabemos que os carros são cada vez um maior problema, por causa daquilo que consomem, por causa daquilo que poluem.Mas tirar o valor ao carro…Imagina : estares a 30 km da escola onde a tua filha entra às 8.30, num país onde o clima é mau.Imagina que queres dar uma volta maior e te fazes acompanhar pelo teu fiel amigo, o cão. Imagina que te apetece desanuviar, a agarras numa boa música e agarras no carro e vais por aí.Imagina…
3 Não me defendo de nada, mas critico o estado de espírito que só vê as coisas más. Tal como já disse, irrita-me mesmo!Porque, onde se quer chegar? O meu lema é inspirar as pessoas a fazer mais e melhor.Seja o que for. Não adiantas nada em só apontar com o dedo tudo o que apontas.Ou adiantas e ou eu que ainda não percebi isso?
Talvez no Verão possamos falar ao vivo deste assunto, porque eu sei que não me explico bem.
Repara, não são coisas bonitas que procuro, mas coisas que me mostrem hum…pronto, lá volto eu à mesma palavra, que me inspirem.
Mas tu tens toda a razão, se é isso que te inspirara ti…mas…deixa-me voltar a perguntar: concretamente, onde chegas, onde queres chegar,sempre à procura de razões para “carpir”?(Desculpa o termo, mas é o que me ocorre.)Talvez me consigas mostrar o que eu ainda não percebi.
E pronto, amigo Maio, gosto muito de ti, e gosto de te sentir por aí, as nossas diferenças…bem, são normais, não serão?
Holof. no dia 5 de Maio de 2009 às 19:31
Pois, o mundo é fantástico! E de todos estes comentários…pois benvindos! É assim mesmo. Tem que haver Margaridaas e Maios, nem tudo é côr de rosa… Eu até acho positivo não perder de vista as injustiças que se cometen todos os dias no mundo inteiro.A informação é das poucas armas que temos para mudar algo (se não estiver manipulada claro)… Do tema carros… adoro conduzir, mas aqui estou do lado do Maio, ver um engarrafamento com carros onde só há uma pessoa, algo não está bem.
Escola a 30 km? Suponho que antes haveria uma escola aí em Otignies, mas claro, não deve valer a pena abrir uma escola para tão poucos míudos, agora que todos temos carros…
E que tal mais autocarros e gratuitos? Não seria um “mundo muito melhor”…
xinha no dia 5 de Maio de 2009 às 20:00
OK, vou me meter na vossa conversa, porque acho que ambos têm alguma razão.
Primeiro parece–me que há vários tipos de lamentos e formas de abordar a desgraça: uns mais chatos que outros. por exp:
1- o lamento contínuo pela nossa própria vida, ai! ai! a m. vida, ai! ai! ai!! (isto é tipo Calimero, uma chatice pegada)
2- o queixoso que pede ajuda a alguém: ai! ai! olha lá a m.vida. que é que eu hei-de fazer? (uma seca se andarmos sempre nisso)
3– o que se queixa em nome do colectivo (desgraça comum, política, vizinhos – aqui normalmente o queixoso precisa de coro)
Outras haverá. Há pessoal que passa a vida nisto. ai, ai ai até pode se tornar numa canção, aliás a arte é bem útil nestas coisas, de transformar algo horrível em belo, ou em estranho, ou misterioso…
E se o ai ai tb levantar questões, isso pode ser positivo. ás vezes, tb é preciso um esforço de concentração em coisas chatas. debater ideias é fixe. De resto pode ser apenas uma forma idiota de passar o tempo, porque enquanto nos concentramos em situações tristes, o que estamos a fazer é deixar de viver outras mais agradáveis. E isso retira-nos qualidade de vida sem dúvida.
Margaridaa no dia 6 de Maio de 2009 às 6:30
Não é o mundo cor de rosa de defendo, é mais :
1 A identificação do problema (as suas causas, leitura global)
2 Procura de soluções CONCRETAS
3 Resolução (se possível)
Falar só por falar, hum… não vejo a utilidade.
(E o mundo começa em nós e naquilo que nos rodeia. Será que também estamos atentos?)
Larose no dia 6 de Maio de 2009 às 21:00
Não me canso de o ver nem de o ouvir!
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