18 de Fevereiro 2008 às 07:34
Dar (seja o que for) tem que ser uma vontade que nasce espontânea. Não pode ser dependente daquilo que já se recebeu ou a pensar naquilo que se vai receber em troca.
Dar não pode estar condicionado a regras, a etiquetas.
(Importante haver a liberdade de não dar!)
(A propósito de um post que eu li noutro blog.)

















5 Comentários
Anonymous no dia 18 de Fevereiro de 2008 às 15:34
FENOMENOLOGIA DA DÁVIDA (pt II)
Tens razão Margaridaa – e tens razão em absoluto – , no entanto, se deres e não tiveres a certeza de que as tuas dádivas são apreciadas; se deres e as tuas dádivas – testemunhos do teu amor e da tua amizade… – encontram silêncio, indiferença, ausência de resposta… então, deverás repensar a tua relação com os destinatários das tuas dádivas, pois uma relação tem sempre dois sentidos (há o ir e o vir…) e, como dizia a U.K. LeGuinn, «a verdadeira viagem é o regresso»… Se não o fizeres, o resultado será sempre perturbador e indicia autismo ou frustração. E haverá, certamente, mais quem aprecie as tuas pérolas e te deixe usufruir da felicidade de saberes que deste prazer e satisfação. Por isso deixas o teu amante saber que adoras quando ele te beija de determinada maneira. Se não o disseres por palavras saberás fazer com que ele entenda a mensagem do teu corpo. Não se trata de dar à espera do retorno, nem muito menos se trata de clientelismo: quando dou, não estou à espera de nenhum retorno material equivalente ao que ofereci, mas apenas de uma qualquer forma de reciprocidade para o prazer de dar – como o que se encontra, por exemplo, na gratidão, que é o feedback mais elementar da tua dádiva. Se alguém não sabe agradecer a um amigo é mais que provável que sofra de perturbações relacionais, para além do mero défice comunicacional. A mim dá-me tanto prazer dar como me dá prazer exprimir (e tão efusivamente quanto possível) a minha gratidão perante uma qualquer dádiva que receba. É disto que se trata quando falo nos dois sentidos de uma qualquer relação. É isso o amor: dar e receber. Se alguém exerce o seu legítimo direito a não-dar, pois deve também, creio eu, abster-se de receber. Mas quando há reciprocidade – e, sobretudo, reciprocidade continuada – a intensidade da relação aumenta e, com toda a probabilidade, aumenta o prazer de dar, dar cada vez mais…
One Love
Marley
Anonymous no dia 18 de Fevereiro de 2008 às 15:36
NOTA – no post anterior houve gralha: no título, onde se lê «dávida», deve ler-se «dádiva»
sorry lá…
Margaridaa no dia 18 de Fevereiro de 2008 às 16:59
Não posso estar mais de acordo contigo. Mas tudo, tanto o dar como o receber ou como o retribuir tem de ser sentidos, e não abrangidos pelas “regras dos bons costumes”, aos quais sou um bocado avessa.
Zacarias no dia 18 de Fevereiro de 2008 às 23:18
Concordo inteiramente com o Marley.
Dar desinteressadamente é importante, mas é também fundamental um feedback, uma reaçcão qualquer á nossa dádiva.
Quando damos desinteressadamente e do outro recebemos desinteresse e desprezo, isso é também uma forma de agressão.
Não se trata aqui de regras, apenas de relações humanas.
Formiguinha no dia 19 de Fevereiro de 2008 às 21:13
Marley, fizeste-me chegar lágrimas aos olhos. Concordo mesmo muito contigo.
E não pode deixar de reparar nas palavras “dádiva” e “dá-vida”…
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