XUTOS E PONTAPÉS
Esta Banda a que há já muito deixei de ligar por ter caído numa armadilha de marketing foleiro, feita de poses de rockeiro, a embrulhar canções de música ligeira, com solos pirosos, saxofones fatelas e temas sem originalidade, conseguiu surpreender-me com esta letra. No entanto, cada vez sou mais cínico e tenho mais dificuldade em acreditar em boas intenções destas de que o inferno se encontra cheio…
Embora aparentemente fiquemos com ideia de que existe aqui um certo desejo de regresso aos dias de maior autenticidade (se bem que o “rock” continua fraquito), não se deixem enganar. A idade não perdoa e o “situacionismo” dos comprometidos, revelado através da aspiração ao politicamente correcto e da hipocrisia, neste caso, parece colocar lado a lado o processo de envelhecimento dos Xutos e o medo de perder um certo status quo feito de “estar bem com Deus e o Diabo”.
É triste, depois de ouvir uma música como esta, ler nos jornais/blogues declarações da banda a admitir que o “engenheiro” da canção pode ser o Primeiro Ministro do nosso descontentamento, com a ressalva, porém, de nunca terem querido fazer um ataque político directo. Ou seja: é mesmo de Sócrates que falam, mas a conversa não é para levar a mal, nem a sério. Enfim, uma no cravo e outra na ferradura… Melhor mesmo é ficarmo-nos pela música e esquecer a hipocrisia de quem pede desculpas por dizer o que pensa…
sem eira nem beira
15 de Abril de 2009 por Paulo Jorge Vieira
Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar…
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar…
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

















3 Comentários
xinha no dia 19 de Abril de 2009 às 12:11
Nunca fui fã dos chutos, embora lhes tenha achado alguma piada nos 1ºs anos. Tb acho os arranjos pobres, e pouco trabalhados, mas as melodias, algumas são bem giras, e a foleirice não vem certamente da simplicidade, mas exactamente da falta de capacidade para trabalhar o simples.
Do que eu nunca gostei foi das letras. Aí é que eu acho que eles falham, e muito. Nada que se compare por exp. com a poesia ou prosa dum Reininho.
Quanto à hipocrisia, bem… nem toda a gente está para arranjar conflitos, ás vezes é preciso uma certa dose de jeito para se ir dizendo algumas coisas. E eu posso gostar das pessoas, e muito, e acha-las imaturas e burras, mas não tenho necessariamente que lhes dizer isso assim sem mais.. ou não concordas? normalmente isso produz o efeito contrário ao desejado, as pessoas retraem-se, amuam, e ainda se agarram mais aos seus orgulhos em vez de ouvirem e reflectirem.
A maioria é muito cobarde sim, e podem no parecer fracas, mas lá terão as suas razões, os seus medos, os seus fantasmas… um pouco mais de indulgência please..
Margaridaa no dia 20 de Abril de 2009 às 6:26
Eu digo já : gosto dos xutos.Práticamente fomos passando o tempo juntos, num sentido figurado, é claro, não os conheço,mas é malta que ronda a minha idade, ainda me lembro de os ver tocar, antes de serem famosos.
Não acredito que seja sempre preciso “atirar a matar”, quantas vezes sentimos necessidade de criticar os que gostamos, sem por isso deixar de gostar.
Os políticos, e todos os que se expõe tem as costas largas, é fácil atirar para cima deles as culpas de todos os males. Não faria mal se alguns pudessem experimentar a prática de ser político, pelo menos durante um certo tempo.
13 no dia 20 de Abril de 2009 às 12:59
Salvaguardando as devidas distâncias (muitas) são os R. Stones portugueses !! Para o nosso panorama musical, na sua área, não estão mal …
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