Delícia!!!
Sou um grande devoto do canto da Sheila Chandra!
Um dos momentos musicais da maior e mais sublime intensidade que já vi em registos vídeo de música foi com esta senhora: trata-se de um registo ao vivo num Festival WOMAD (infelizmente vi-o há muitos anos e não faço ideia do ano nem tenho qualquer outra referência). Um palco ao ar livre, num sítio bonito. Sol. E esta criatura, sentada sozinha no palco, canta o clássico “Ever so lonely / Eyes / Ocean”, de forma tão vibrante, tão profunda, tão… espiritual… que qualquer alma sensível se eleva interiormente só de a ouvir
Viva a grande Sheila Chandra!!!
xinha
no dia 23 de Agosto de 2008 às 12:28
Um lamento belo, profundo…
Gosto especialmente dos 1ºs AAAUUUUMMMMMMM…. da voz a prolongar-se até ao último sopro, até ao infinito… poderosa… e da presença da cítara …
Margaridaa
no dia 24 de Agosto de 2008 às 21:47
Tenho um enorme apreço por esta senhora, por aquilo que canta e como o canta.
E continuo a achar que as mulheres tem “um quê” a mais que os homens, na cantoria.
xinha
no dia 24 de Agosto de 2008 às 22:26
Eu gosto muito mais da voz grave dos homens. Não é tão cansativa. Agora quanto à interpretação, expressão e sensibilidade, bem.. isso é outra cantoria… aí eu tb acho que as senhoras ganham pontos.
Maio
no dia 25 de Agosto de 2008 às 14:48
Discordo em absoluto da ideia de que, no canto, as mulheres tenham mais “feeling”, aptidão, sensibilidade, expressividade – chamem-lhe o que quiserem – do que os homens. Essa é uma ideia perigosa, até. Há almas geniais no canto e isso é absolutamente independente do seu sexo. Haverá sempre Pavarottis e Ceguinhos tenores para cada Callas e Sarahs Brightmans deste mundo, um Louis Armstrong para cada Bessie Smith… Haverá sempre um Leo Ferré para cada Catherine Ribeiro, um Nick Drake para cada Sandy Denny, um Dylan para cada Baez, etc. etc…
Agora se eu prefiro vozes masculinas ou femininas, isso é outra coisa. Para além do mais, haverá sempre, também, homens com voz de mulher e mulheres com voz grossa, independentemente do que têm ou queiram ter entre as pernas.
Agora generalizar esses atributos, qualidades ou defeitos, em função do sexo… É retrógrado mesmo! Sorry lá!
Margaridaa
no dia 25 de Agosto de 2008 às 14:55
Eh eh…tá certo…já tinha pensado nisso. Brevemente apresentarei gajos que gooooooooooooooosto!!!!
See You!:D
Margaridaa
no dia 25 de Agosto de 2008 às 15:51
…ah, e a diferença não se situa entre pernas , mas na cabeça!…
Maio
no dia 25 de Agosto de 2008 às 16:44
Ainda que a cabeça e o “entre pernas” sejam indissociáveis, o “entre pernas” parece determinante, daí que, nos homens, qualquer mudança de sexo que se preze pode começar na cabeça mas acaba sempre (haja dinheiro para a cirurgia) por transformar o “simpático amiguinho” numa “linda risonha”… Daí também a viva necessidade sentida por muitas lésbicas de brincarem com dildos acoplados entre as pernas…
Enfim, a diferença de que falamos é complexa e passa, seguramente, pela cabeça, mas por mais que queiramos escamotear a questão, aquilo que trazemos entre as pernas, quando bem utilizado, é das principais fontes de bem estar para a alma, daí que no modelo hindu (que é apenas um modelo, uma grelha, entre muitas outras possíveis), chakra do escroto e chakra do alto da moleirinha mantenham uma relação curiosa. Um detém o poder de acordar o outro, mas é preciso que o outro possa estar em condições de acordar, senão perde-se tudo no caminho, sem contar com os outros pontos todos que estão no caminho… E mesmo que assim não fosse, essa diferença (entre as pernas) é a mais visível (ainda que, paradoxalmente, sobre ela pesem terríveis interditos visuais e, por isso, ande sempre escondidinha) mais óbvia para a faculdade simbólica da espécie…
… E toda esta conversa por tua causa, Sheila Chandra… as coisas em que penso quando te vejo, quando te ouço… ai de mim… (Mais uma prova da ligação profunda entre os dois polos: começa-se na voz, no verbo criador… e eis que de repente a sintonia é a da divina pinocada…)
Maio
no dia 25 de Agosto de 2008 às 17:02
Ah, a propósito, não deixem de ler este interessantíssimo texto:
«Flesh Made Soul: Can a new theory in neuroscience explain spiritual experience to a non-believer?»
Ena pá! Isto está mesmo ‘hot’…. onde já vai a temática da cantoria versus sensibilidade. eu já sabia que iria causar reacções. eheh… sou mesmo provocadora. ((( : P
OK…a diferença não faz a qualidade, mas faz a capacidade de sentir. E nisso não há discussão. É pura química, biologia…
Eu tb acho que não há génios melhores que outros, quando se é bom é bom, ponto final. Isso não se mede.. Mas entre uma boa voz feminina, e uma masculina, eu identifico-me certamente mais com a feminina, embora me sinta atraída, incontornavelmente, pelo tom grave da masculina.
Mas estranho toda essa reacção…é sabido, e reconhecido sobretudo pelos homens, que o mundo feminino se preocupa mais com a harmonia, é mais atento à beleza, ao amor, aos afectos, resumindo, é mais sensível… Então, se assim é… porque não há-de isso se manifestar no canto?
Há um universo de preocupações e interesses que nunca será partilhado da mesma maneira por ambos os sexos, porque não é vivido da mesma maneira. E se eles não podem, nem conseguem, sentir como nós, por mais que se esforcem, porque haveriam de cantar? Nem que mudem de sexo! Talvez quando começarem a menstruar, e a ter filhos alguma coisa possa mudar, até lá hão-de ser sempre homens a quem só lhes foi retirado uma tripinha.
anab
no dia 25 de Agosto de 2008 às 23:42
Estava longe de adivinhar o que iria provocar com a minha proposta! Sim senhora, gostei do efeito. E se até agora tenho escolhido gaijas, os gaijos não perdem por esperar… Por que isto de vozes, não tenho preferência: ou me encantam (como é o caso destas senhoras que aqui deixei) ou não. Femininas ou masculinas. E podia assim já citar alguns gaijos cuja voz me fascina de diferentes maneiras : Brel, Morrisson, T. Buckley, Costello, Caetano, Zeca….. Mas pronto, agora saíram as gaijas. e ainda há mais algumas que vou deixar por aqui.
Holof.
no dia 25 de Agosto de 2008 às 23:44
Sei que chego um pouco tarde a este post mas sem querer meter-me na vossa discussão só quero dizer que gostei muito do video, sobretudo dessa mistura hindú-celta.
Quanto ao resto da conversa vou procurar algumas vozes de “gaijos” para postar em breve…
Maio
no dia 26 de Agosto de 2008 às 0:06
isso de acantonar a diferença no que chamas de “capacidade de sentir”… também não concordo. Não há nenhum fundamento biológico nem químico que alicerce a teoria da sensibilidade feminina, harmonia, capacidade de sentir… Trata-se aqui de questões decorrentes da educação e dos estereótipos que em cada contexto cultural, são associados a cada sexo e incorporados no comportamento das crianças e dos adultos por via da educação e da socialização.
No canto, na dança, no desporto, nas artes e em tudo, mas mesmo tudo, homens e mulheres estão à partida em igualdade. O que difere e molda variações é de natureza histórico-cultural, portanto, e daí que seja fácil compreender os estereótipos associados aos dois sexos se compreendermos os contextos em que eles têm lugar. Claro que os homens não menstruam nem fazem nascer novos produtores, novos membros para o grupo, e isso desde cedo determinou diferentes mobilidades e utilizações do espaço (para ultrapassar o que, em certos contextos, pode ser uma limitação à mobilidade do grupo, há exemplos de diferentes latitudes culturais onde as mulheres só dão à luz de 4 em 4 anos. Mas entre as primeiras divindades estão, seguramente, as fêmeas parideiras, humanas e animais. No animal humano, então, com ciclos de 28 dias associados às lunações e, por sua vez, associando estas às marés e aos ritmos agrícolas e de variações no céu… compreende-se melhor por que razão ainda hoje haja muito boa gente, como tu xinha, que queira manter que «eles não podem sentir como nós, por mais que se esforcem»…
É o tipo de fractura gajo/gaja que pode ter o interesse que todas as coisas pagãs têm, mas que não resiste ao bom senso – do mesmo modo que, como a lider do principal partido da oposição, pretende , não vale a pena dizer que o casamento é para procriar ou que a cópula também só serve para tal desígnio. Haviam os homens de ter a “tripinha” só para lhes encher a barriga a elas, não?
Ou será que, com a influência do clima, também estás mortinha por justificar uma… guerra de sexos? Parece que há aí malta a dar para esse peditório… daí que veja com surpresa que se dêm motivos para persistirmos nesta de “nós as gajas” ou de “nós os gajos”…
É claro que cada um é livre de ter as superstições que lhe apetece…
xinha
no dia 26 de Agosto de 2008 às 11:53
Guerra ?? Eu nunca falei que uns eram melhores que outros. E nem disse que a sensibilidade só existe nas senhoras. Eu disse que elas ganham pontos, isto é, há mais gente sensível entre o mundo feminino. E as razões podem ser várias inclusive de ordem social e cultural, como dizes. Para quem gosta de ciência tb posso dizer que já li e vi documentários sobre como a química produz diferentes formas de sentir. Mas, para concluir, tb não sei se ser sensivel é uma vantagem, se faz de nós melhores pessoas, porque por norma isso arrasta tb algum sofrimento. E sofrimento tb arrasta outras coisas chatas: defesas, esquemas…etc
Mas Maio, não deixa de ser giro observar como te esforças por não querer pertencer á classe onde pode haver menos gente sensível. ((( : P
Maio
no dia 26 de Agosto de 2008 às 19:31
É verdade, detesto as afirmações da pretensa supremacia de um sexo sobre o outro e, designadamente, o exacerbar de uma masculinidade assente na brutalidade e na estupidez, vulgo machismo… E fico igualmente preocupado quando vejo as mulheres, por reacção contra a estupidez e vontade de afirmação, embarcarem num “feminismo” que acaba por cometer os mesmos erros que já se conhecem nos homens, com o exclusivismo e a segregação…
É o mesmo erro, aliás, que cometem muitos homossexuais quando, querendo fazer valer a sua diferença, reclamam um fundamento biológico, genético, para as suas opções sexuais. Nada mais disparatado! É preciso reconhecer que estas opções são tão normais como as outras, ainda que minoritárias, e não há argumento biológico que resista. Não há comportamentos sexuais escritos nos genes, nem dependências de drogas nem, claro, capacidades para sentir, etc.
Mas também é verdade que não acredito em grandes mudanças nessa matéria. O “sistema” adora a conversa genética como fundamento, essência… A pós-humanidade está à porta…
15 Comentários
Maio no dia 23 de Agosto de 2008 às 12:23
Delícia!!!
Sou um grande devoto do canto da Sheila Chandra!
Um dos momentos musicais da maior e mais sublime intensidade que já vi em registos vídeo de música foi com esta senhora: trata-se de um registo ao vivo num Festival WOMAD (infelizmente vi-o há muitos anos e não faço ideia do ano nem tenho qualquer outra referência). Um palco ao ar livre, num sítio bonito. Sol. E esta criatura, sentada sozinha no palco, canta o clássico “Ever so lonely / Eyes / Ocean”, de forma tão vibrante, tão profunda, tão… espiritual… que qualquer alma sensível se eleva interiormente só de a ouvir
Viva a grande Sheila Chandra!!!
xinha no dia 23 de Agosto de 2008 às 12:28
Um lamento belo, profundo…
Gosto especialmente dos 1ºs AAAUUUUMMMMMMM…. da voz a prolongar-se até ao último sopro, até ao infinito… poderosa… e da presença da cítara …
Margaridaa no dia 24 de Agosto de 2008 às 21:47
Tenho um enorme apreço por esta senhora, por aquilo que canta e como o canta.
E continuo a achar que as mulheres tem “um quê” a mais que os homens, na cantoria.
xinha no dia 24 de Agosto de 2008 às 22:26
Eu gosto muito mais da voz grave dos homens. Não é tão cansativa. Agora quanto à interpretação, expressão e sensibilidade, bem.. isso é outra cantoria… aí eu tb acho que as senhoras ganham pontos.
Maio no dia 25 de Agosto de 2008 às 14:48
Discordo em absoluto da ideia de que, no canto, as mulheres tenham mais “feeling”, aptidão, sensibilidade, expressividade – chamem-lhe o que quiserem – do que os homens. Essa é uma ideia perigosa, até. Há almas geniais no canto e isso é absolutamente independente do seu sexo. Haverá sempre Pavarottis e Ceguinhos tenores para cada Callas e Sarahs Brightmans deste mundo, um Louis Armstrong para cada Bessie Smith… Haverá sempre um Leo Ferré para cada Catherine Ribeiro, um Nick Drake para cada Sandy Denny, um Dylan para cada Baez, etc. etc…
Agora se eu prefiro vozes masculinas ou femininas, isso é outra coisa. Para além do mais, haverá sempre, também, homens com voz de mulher e mulheres com voz grossa, independentemente do que têm ou queiram ter entre as pernas.
Agora generalizar esses atributos, qualidades ou defeitos, em função do sexo… É retrógrado mesmo! Sorry lá!
Margaridaa no dia 25 de Agosto de 2008 às 14:55
Eh eh…tá certo…já tinha pensado nisso. Brevemente apresentarei gajos que gooooooooooooooosto!!!!
See You!:D
Margaridaa no dia 25 de Agosto de 2008 às 15:51
…ah, e a diferença não se situa entre pernas , mas na cabeça!…
Maio no dia 25 de Agosto de 2008 às 16:44
Ainda que a cabeça e o “entre pernas” sejam indissociáveis, o “entre pernas” parece determinante, daí que, nos homens, qualquer mudança de sexo que se preze pode começar na cabeça mas acaba sempre (haja dinheiro para a cirurgia) por transformar o “simpático amiguinho” numa “linda risonha”… Daí também a viva necessidade sentida por muitas lésbicas de brincarem com dildos acoplados entre as pernas…
Enfim, a diferença de que falamos é complexa e passa, seguramente, pela cabeça, mas por mais que queiramos escamotear a questão, aquilo que trazemos entre as pernas, quando bem utilizado, é das principais fontes de bem estar para a alma, daí que no modelo hindu (que é apenas um modelo, uma grelha, entre muitas outras possíveis), chakra do escroto e chakra do alto da moleirinha mantenham uma relação curiosa. Um detém o poder de acordar o outro, mas é preciso que o outro possa estar em condições de acordar, senão perde-se tudo no caminho, sem contar com os outros pontos todos que estão no caminho… E mesmo que assim não fosse, essa diferença (entre as pernas) é a mais visível (ainda que, paradoxalmente, sobre ela pesem terríveis interditos visuais e, por isso, ande sempre escondidinha) mais óbvia para a faculdade simbólica da espécie…
… E toda esta conversa por tua causa, Sheila Chandra… as coisas em que penso quando te vejo, quando te ouço… ai de mim… (Mais uma prova da ligação profunda entre os dois polos: começa-se na voz, no verbo criador… e eis que de repente a sintonia é a da divina pinocada…)
Maio no dia 25 de Agosto de 2008 às 17:02
Ah, a propósito, não deixem de ler este interessantíssimo texto:
«Flesh Made Soul: Can a new theory in neuroscience explain spiritual experience to a non-believer?»
Está em: http://www.science-spirit.org/newdirections.php?article_id=740
xinha no dia 25 de Agosto de 2008 às 19:05
Ena pá! Isto está mesmo ‘hot’…. onde já vai a temática da cantoria versus sensibilidade. eu já sabia que iria causar reacções. eheh… sou mesmo provocadora. ((( : P
OK…a diferença não faz a qualidade, mas faz a capacidade de sentir. E nisso não há discussão. É pura química, biologia…
Eu tb acho que não há génios melhores que outros, quando se é bom é bom, ponto final. Isso não se mede.. Mas entre uma boa voz feminina, e uma masculina, eu identifico-me certamente mais com a feminina, embora me sinta atraída, incontornavelmente, pelo tom grave da masculina.
Mas estranho toda essa reacção…é sabido, e reconhecido sobretudo pelos homens, que o mundo feminino se preocupa mais com a harmonia, é mais atento à beleza, ao amor, aos afectos, resumindo, é mais sensível… Então, se assim é… porque não há-de isso se manifestar no canto?
Há um universo de preocupações e interesses que nunca será partilhado da mesma maneira por ambos os sexos, porque não é vivido da mesma maneira. E se eles não podem, nem conseguem, sentir como nós, por mais que se esforcem, porque haveriam de cantar? Nem que mudem de sexo! Talvez quando começarem a menstruar, e a ter filhos alguma coisa possa mudar, até lá hão-de ser sempre homens a quem só lhes foi retirado uma tripinha.
anab no dia 25 de Agosto de 2008 às 23:42
Estava longe de adivinhar o que iria provocar com a minha proposta! Sim senhora, gostei do efeito. E se até agora tenho escolhido gaijas, os gaijos não perdem por esperar… Por que isto de vozes, não tenho preferência: ou me encantam (como é o caso destas senhoras que aqui deixei) ou não. Femininas ou masculinas. E podia assim já citar alguns gaijos cuja voz me fascina de diferentes maneiras : Brel, Morrisson, T. Buckley, Costello, Caetano, Zeca….. Mas pronto, agora saíram as gaijas. e ainda há mais algumas que vou deixar por aqui.
Holof. no dia 25 de Agosto de 2008 às 23:44
Sei que chego um pouco tarde a este post mas sem querer meter-me na vossa discussão só quero dizer que gostei muito do video, sobretudo dessa mistura hindú-celta.
Quanto ao resto da conversa vou procurar algumas vozes de “gaijos” para postar em breve…
Maio no dia 26 de Agosto de 2008 às 0:06
isso de acantonar a diferença no que chamas de “capacidade de sentir”… também não concordo. Não há nenhum fundamento biológico nem químico que alicerce a teoria da sensibilidade feminina, harmonia, capacidade de sentir… Trata-se aqui de questões decorrentes da educação e dos estereótipos que em cada contexto cultural, são associados a cada sexo e incorporados no comportamento das crianças e dos adultos por via da educação e da socialização.
No canto, na dança, no desporto, nas artes e em tudo, mas mesmo tudo, homens e mulheres estão à partida em igualdade. O que difere e molda variações é de natureza histórico-cultural, portanto, e daí que seja fácil compreender os estereótipos associados aos dois sexos se compreendermos os contextos em que eles têm lugar. Claro que os homens não menstruam nem fazem nascer novos produtores, novos membros para o grupo, e isso desde cedo determinou diferentes mobilidades e utilizações do espaço (para ultrapassar o que, em certos contextos, pode ser uma limitação à mobilidade do grupo, há exemplos de diferentes latitudes culturais onde as mulheres só dão à luz de 4 em 4 anos. Mas entre as primeiras divindades estão, seguramente, as fêmeas parideiras, humanas e animais. No animal humano, então, com ciclos de 28 dias associados às lunações e, por sua vez, associando estas às marés e aos ritmos agrícolas e de variações no céu… compreende-se melhor por que razão ainda hoje haja muito boa gente, como tu xinha, que queira manter que «eles não podem sentir como nós, por mais que se esforcem»…
É o tipo de fractura gajo/gaja que pode ter o interesse que todas as coisas pagãs têm, mas que não resiste ao bom senso – do mesmo modo que, como a lider do principal partido da oposição, pretende , não vale a pena dizer que o casamento é para procriar ou que a cópula também só serve para tal desígnio. Haviam os homens de ter a “tripinha” só para lhes encher a barriga a elas, não?
Ou será que, com a influência do clima, também estás mortinha por justificar uma… guerra de sexos? Parece que há aí malta a dar para esse peditório… daí que veja com surpresa que se dêm motivos para persistirmos nesta de “nós as gajas” ou de “nós os gajos”…
É claro que cada um é livre de ter as superstições que lhe apetece…
xinha no dia 26 de Agosto de 2008 às 11:53
Guerra ?? Eu nunca falei que uns eram melhores que outros. E nem disse que a sensibilidade só existe nas senhoras. Eu disse que elas ganham pontos, isto é, há mais gente sensível entre o mundo feminino. E as razões podem ser várias inclusive de ordem social e cultural, como dizes. Para quem gosta de ciência tb posso dizer que já li e vi documentários sobre como a química produz diferentes formas de sentir. Mas, para concluir, tb não sei se ser sensivel é uma vantagem, se faz de nós melhores pessoas, porque por norma isso arrasta tb algum sofrimento. E sofrimento tb arrasta outras coisas chatas: defesas, esquemas…etc
Mas Maio, não deixa de ser giro observar como te esforças por não querer pertencer á classe onde pode haver menos gente sensível. ((( : P
Maio no dia 26 de Agosto de 2008 às 19:31
É verdade, detesto as afirmações da pretensa supremacia de um sexo sobre o outro e, designadamente, o exacerbar de uma masculinidade assente na brutalidade e na estupidez, vulgo machismo… E fico igualmente preocupado quando vejo as mulheres, por reacção contra a estupidez e vontade de afirmação, embarcarem num “feminismo” que acaba por cometer os mesmos erros que já se conhecem nos homens, com o exclusivismo e a segregação…
É o mesmo erro, aliás, que cometem muitos homossexuais quando, querendo fazer valer a sua diferença, reclamam um fundamento biológico, genético, para as suas opções sexuais. Nada mais disparatado! É preciso reconhecer que estas opções são tão normais como as outras, ainda que minoritárias, e não há argumento biológico que resista. Não há comportamentos sexuais escritos nos genes, nem dependências de drogas nem, claro, capacidades para sentir, etc.
Mas também é verdade que não acredito em grandes mudanças nessa matéria. O “sistema” adora a conversa genética como fundamento, essência… A pós-humanidade está à porta…
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