ANTÓNIO SÉRGIO, faleceu sábado à noite, aos 59 anos, em consequência de um problema cardíaco, mas a sua influência nas ondas hertzianas estendeu-se ao longo dos anos, na divulgação da chamada música alternativa.
Com mais de 40 anos de carreira, era talvez o último grande radialista vivo, da rádio que se fazia antigamente, a do programa de autor”.
Os programas que marcaram a carreira de António Sérgio:
Rotação (entre 1977-1980): Foi o seu primeiro programa de autor, ainda na Rádio Renascença. Foi através deste programa que ajudou a lançar nomes cimeiros da música portuguesa, incluindo os Xutos & Pontapés.
Rolls Rock: o primeiro programa que fez na Rádio Comercial, que na altura ainda dava pelo nome de RDP – Canal 4. O conceito por detrás do programa – nas palavras de João David Nunes – era ser “uma coisa especial, edições muito específicas e muito boas”.
Som da Frente (1982 -1993): Como o próprio nome indica, tinha como missão estar na linha da frente das novidades; trazer até aos ouvintes portugueses o que de novo se fazia em Portugal e no Mundo e estar na vanguarda das novas sonoridades.
Lança-Chamas: programa dedicado à chamada música pesada e ao heavy metal.
Loiras, Ruivas ou Morenas: programa realizado pela mulher de António Sérgio, Ana Cristina Ferrão, em que António Sérgio passava apenas música interpretada por mulheres. De Ellis Regina a Janis Joplin.
Grande Delta: Entre 1993 e 1997, durante o interregno que o levou à XFM.
Hora do Lobo (1997-2007): O programa esteve no ar dez anos, entre a Comercial e a Best Rock FM, e dedicava-se a dar a conhecer as franjas menos conhecidas do pop-rock. Foi cancelado porque tinha deixado (segundo a direcção assumida pelo grupo Prisa) de se enquadrar na grelha. O fim do programa originou reacções e protestos. “Serviu como uma espécie de resumo de carreira. Porque o António Sérgio sempre foi um lobo solitário, mas de olhar penetrante”, define João David Nunes.
Viriato 25: O seu mais recente programa, na Radar FM, em cujos estúdios tinha estado a gravar o programa para a próxima semana.
O “John Peel português” deixou o próximo programa gravado. Para que a sua voz continue entre nós …
















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6 Comentários
Nakata no dia 2 de Novembro de 2009 às 15:20
Espantei-me com um sobressalto, hoje de manhã no carro, quando ouvi qualquer coisa sobe o seu funeral ser nos “Prazeres”. A tristeza invadiu-me, agora, ao “consolidar” a percepção inicial, quando percebi que, de facto, era verdade… O António Sérgio foi-se, tal como começam a ir algumas outras pessoas que constituiram os marcos da minha formação na juventude. Esta será, porventura, a homenagem possível, singela e pequenina, a um dos responsáveis pela formação do meu gosto musical. Não me recordo do “Rotação”, mas lembro, ainda miúdo, de ficar acordado até à uma da manhã, muitas vezes, às escuras no quarto, com o rádio ligado (naquele tempo, qualquer coisa servia para ouvirmos música, podia até ser um transistor a pilhas), só para poder ouvir a sua voz profunda e o espantoso programa “Rolls Rock” que tanta coisa boa me deu a conhecer… Se soubesse como colocar aqui músicas, colocaria “A Forest”, dos The Cure (procurem nos vossos “arquivos e ouçam-no) uma das mais espantosas peças que a banda de Robert Smith alguma vez escreveu e que me foi dada a ouvir, pela primeira vez, pelo António Sérgio, numa dessas noites.
Que o som te tenha acompanhado, para onde quer que tenhas ido, companheiro! Ficámos todos mais pobres…
xinha no dia 2 de Novembro de 2009 às 16:43
Eu confesso que não consigo identificar a voz com o nome, não associo.. mas sei que se o ouvisse um bocadinho diria, sim, sim, oh eu ouvi-o vezes sem conta e aos seus programas. que pena então que se perca uma criatura assim… obrigado A.Sérgio, por esses bocadinhos maravilhosos.
Margaridaa no dia 2 de Novembro de 2009 às 16:57
…há certas pessoas assim, que nos inspiram e que gostaríamos que nunca partissem…
Holof. no dia 2 de Novembro de 2009 às 17:33
Eu não conheço ou não me lembro… rádio renascença não ouvia e fui-me embora em 79… as minhas vozes de rádio são espanholas e todas de rádio 3, a não perder se passarem por aqui…
13 no dia 3 de Novembro de 2009 às 16:45
António Sérgio era conhecido como “o lobo”, “o mestre da rádio”, sendo para muitos, uma referência na forma de fazer rádio e era sobretudo uma “escola” de ensinar a ouvir música.
No tempo em que os discos (de vinil), de música alternativa, eram caros e importados, muito antes da MTV, dos computadores, da internet, do MP3, das playlists das rádios … havia o António Sérgio … um Marco na minha juventude …
anab no dia 4 de Novembro de 2009 às 1:10
Um marco da nossa juventude, 13. Formei o meu gosto musical a ouvir o Som da Frente. Graças a ele, ao Anibal Cabrita, ao Rui Morrison, ao Ricardo Saló…. quando ouvir rádio era um prazer de descobertas inesperadas.
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