05 de Setembro 2009 às 23:58

João Vieira

Uma rosa é (1968)

Homenagem ao pintor João Vieira (1934-2009), que pintava palavras e que é, sem dúvida, um dos grandes pintores portugueses contemporâneos. Tive o privilégio de o conhecer. Fica a saudade.


6 Comentários

  1. Margaridaa no dia 6 de Setembro de 2009 às 8:22

    Pois é, Ana, estás a ver o que eu quero dizer com “riqueza”. Não conhecia. (E eu, que gosto tanto das palavras!)

  2. Holof. no dia 6 de Setembro de 2009 às 8:59

    E pelo que li no nuvens, cantor de boleros também.
    Fico curioso…

  3. xinha no dia 6 de Setembro de 2009 às 12:48

    do pintor só conheci a casa da mulher, e da sogra (que aluguei – mais uns malucos – por alguns meses, ali perto de Sintra)
    da pintura confesso que não gosto, embora reconheça a diferença e o empenho.

  4. 13 no dia 7 de Setembro de 2009 às 11:15

    João Vieira: “A vida é um bolero”
    Em 2008, João Vieira lançou o álbum”La vida es un bolero”, com uma edição de 200 exemplares para amigos. Recorde aqui as divagações do pintor ao Expresso.

    Desde pequenino que gosto de boleros. Eu e os meus amigos arranjávamos maneira de tocar nos intervalos dos bailes. Tínhamos dois pianistas. Um deles chamava-se Eugénio Pepe e era um pianista de “boîte”. Aliás, escreveu uma música chamada “Eu Sou Um Pianista de Boîte”. Sempre me interessei por música popular e filmes de série B.

    O meu filho Manuel (João Vieira) aproveitou uns discos muito foleiros e pirosos que eu tinha lá em casa. Ele tem uma cultura de música erudita vastíssima e, no entanto, escreve aquelas músicas extraordinárias, para gozar com tudo e mais alguma coisa. Joga na baixa cultura, para se libertar e estar com os outros. Eu acho que faço mais ou menos a mesma coisa.

    Aqui há tempos tive a surpresa de chegar a Cuba e descobrir um pianista magnífico, todo vestido de branco. Fazia muitos arpejos no seu piano. Eu ia sempre tomar um aperitivo ao bar do Ambos Mundos, que é um hotel lindíssimo na Calle Obispo, e lá estava o pianista com quatro ou cinco pessoas na sala. Mas houve um dia que lhe pedi para ele tocar uns boleros, daqueles clássicos, e comecei a cantarolar.

    Ao fim de duas horas, estava uma data de malta à porta. E eu disse: vamos lá ver se eu trato deste assunto a sério. Falei com um sobrinho que tenho, que é músico, o João Lucas, e com o Manuel e disse-lhes: “Achava graça gravar uns boleros.” E o Manuel disse assim: “Tenho aqui um microfone chinês muito bom.” Gravámos então num ateliê que tenho em Trás-os-Montes. Éramos uma data de amigos e estivemos lá oito dias a comer muito bem e a tomar banho.

    O técnico de som, com os seus 60 e tal anos, cobriu o meu ateliê de tapetes, edredões e cobertores, para isolar os sons. O baterista parecia metido dentro de um iglô. O bolero é uma música muito romântica. Lembro-me de uma frase de um livro policial cubano: “os boleros têm de ser cantados com o coração e o útero”.

    Gabriel García Márquez, que cantava em Paris com Los Incas, disse uma vez numa entrevista que “la vida es un bolero”. Esse, aliás, é o título do meu disco, que está assinado assim nos créditos: Juanito Camiãnte na voz e Johny Walker no design. Depois fiz uma festa no Maxime.

    Diverti-me, mas não quero ser um cantor popular com carreira. Sou pintor. Passo os dias no meu ateliê de Lisboa. De um lado tenho o deserto e do outro o bairro social, onde há ciganos e gente variada. Muito boa gente.

    (Texto publicado na Revista Única, de 30 de Agosto de 2008)

  5. Holof. no dia 7 de Setembro de 2009 às 19:00

    Obrigado pela informação 13…

  6. anab no dia 7 de Setembro de 2009 às 21:39

    Obrigada 13 por mais este pequeno contributo sobre o João ou Juanito Caminante.

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