Tambor está velho de gritar
ó velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
E nem flor nascida no mato do desespero.
Nem rio correndo para o mar do desespero.
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero.
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra.
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra!
Eu!
Só tambor rebentando o silêncio amargo a Mafalala.
Só tambor velho de sangrar no batuque do meu povo.
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Ó velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando a canção da força e da vida
só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh, velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!
“(..) em África [o tambor] está associado a todos os acontecimentos da vida humana. Ele é o eco sonoro da existência (…) identificando-se com a condição humana, de que é expressão, a sua voz múltipla traz em si a voz do homem , com o ritmo vital da sua alma, com todas as voltas do seu destino.”

















4 Comentários
Zacarias no dia 11 de Janeiro de 2008 às 23:45
Muito bonito o poema do Craveirinha.
As coisas simples são as mais apetitosas.
Margaridaa no dia 12 de Janeiro de 2008 às 11:21
Creio que é o som antigo desse tambor que às vezes reconhecemos em certas músicas e nos faz vibrar.
Anonymous no dia 12 de Janeiro de 2008 às 17:54
Irie drum sound!…
Ital drum sound!…
One Love!
One Heart!
Marley
Anonymous no dia 13 de Janeiro de 2008 às 0:10
Depois de alguns dias de ausência, vim fazer uma visita. Tanta coisa nova e bonita! Os”botões” laterais são muito giros.
Hoje encontrei uma velha amiga que me fez recordar tempos de infância, cheiro a terra, piqueniques, mergulhos no rio e danças ao som dos “Pink Floyd”(Tanto tempo já passou e a alma que se recusa a envelhecer….) Beijos da Mariazinha!
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