19 de Janeiro 2008 às 23:34

O CRIADOR

Existem dois tipos de criadores no mundo: um deles trabalha com objetos — um poeta, um pintor, trabalham com objetos e criam coisas; o outro tipo de criador, o místico, cria a si mesmo. Ele não trabalha com objetos, trabalha com o subjetivo; trabalha em si mesmo, no seu próprio ser. Este é o verdadeiro criador, o verdadeiro poeta, porque transforma a si mesmo numa obra-prima.

Você leva uma obra-prima escondida dentro de si, mas você mesmo está obstruindo o caminho. Dê um passo para o lado, e a obra de mestre será revelada. Cada um de nós é uma obra-prima, porque Deus nunca gera coisa alguma menor do que isso. Cada qual carrega escondida essa obra de arte por muitas vidas, sem saber quem é, e tentando apenas superficialmente tornar-se alguém.

Abandone a idéia de vir a ser alguém, porque você já é uma obra-prima. Você não pode ser aperfeiçoado. Você tem apenas de se aproximar dela, de conhecê-la, de percebê-la. Deus criou você com suas próprias mãos; você não pode ser aperfeiçoado.

Osho, Ah, This! Chapter 1

19 Comentários

  1. Anonymous no dia 20 de Janeiro de 2008 às 1:43

    Lembro-me do deslumbramento que me atravessou, quando jovem, ao ler os livros do Bhagavan Shree Rajneesh. O excerto que a Joana nos trouxe ilustra muito bem uma das mais fantásticas descobertas que fiz com este grande filósofo: tudo já está, tudo já é… só que nós não vemos a floresta por causa das árvores… Ou seja: perdemos anos das nossas vidas acreditando nas patranhas da “evolução espiritual”; julgamos que atingimos a iluminação com jejuns, yogas acrobáticos, alimentações especiais, rituais… Por vezes, convencemo-nos que o auto-hipnotismo a que os gurus de pacotilha condenam os seus seguidores nos irão levar a um estádio “superior” de consciência e lá vamos repetindo mantras em línguas desconhecidas e fórmulas mágicas, olhamos para o meio da testa com os olhos fechados e imaginamos toda a espécie de coisas delirantes e “técnicas” absurdas. Krishnamurti foi o primeiro a dizer claramente que repetir Om tat sat ou coca-cola tinha exactamente o mesmo efeito na mente, e que tanto dava fazê-lo em incómodas posições de “yoga” como sentado, deitado ou em pé. A primeira vez que tive um vislumbre do que era a iluminação foi graças a este ser maravilhoso, há uns trinta anos atrás… Depois, então, veio o Rajneesh ensinar a lição mais preciosa – esta mesmo que está expressa neste post(obrigado Joana): se acreditarmos que é com esforço e sacrifício que atingimos o que julgamos ser “patamares superiores” de consciência, é porque, intimamente, estamos convencidos que não estamos nesse estado e que há que percorrer um caminho para lá chegar, mas já outros o disseram… “caminhante: não há caminho!…”; não há superior nem inferior, nem evoluído nem atrasado, nem vidas passadas nem vidas futuras. Só há o aqui e agora – karuna, karuna… A ilusão é isso: a dualidade, a crença de que temos que ir a qualquer lado que nos torne em pessoas melhores, com esforço, com sadhanas e, pior do que tudo, com a repressão dos nossos instintos, da nossa sensualidade. Conheci gente que acreditava que ia atingir a iluminação com a castidade… Enfim, o Rajneesh desmitificou todas estas ilusões que povoaram a minha juventude. A única iniciação é a tomada de consciência de que já somos iguais aos deuses, à beleza… E, por isso mesmo, somos criadores – e essa é a nossa maior grandeza espiritual. As técnicas que nos ajudam a criar, isso sim, podemos aperfeiçoar e, nesse processo, tornar-nos-emos, provavelmente, pessoas melhores. Ou não… Quem sabe o que acontecerá amanhã?
    Tudo isto, no fundo, foi já dito também, por uma importante escola budista do séc. II ou III através do notabilíssimo filósofo Nagarjuna:
    «…not existent
    not non-existent
    not both
    not the absence of both…»
    E há respostas para as quais não existem perguntas…

    (e desculpem lá tanta conversa para coisas tão simples…)

    One Love
    One Heart

    Marley

  2. Margaridaa no dia 20 de Janeiro de 2008 às 15:48

    Mas é magnífico, Joana, a imagem leva-nos directamente para o Site de Osho! Tanta coisa a explorar!

  3. Margaridaa no dia 20 de Janeiro de 2008 às 21:05

    …e gostei do que vi…(sobre o Site de Osho)

  4. formiguinha no dia 21 de Janeiro de 2008 às 1:00

    Desculpa lá Marley, a simplicidade do meu pensamento mas eu acredito que aproximar-nos dos outros de coração limpo( ou mente ou alma ou o que se queira chamar)é o início da corrente. Penso que em cada dia temos oportunidade de semear e é nessa semente que está o caminho

  5. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 11:58

    Não acredito nisso !!

  6. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 13:13

    E o que é que os meus amigos têm a dizer do curriculum do senhor Bhagwan Shree Rajneesh ou posteriormente Osho. Ter sido proprietário de 93 Rolls Royces, os automóveis mais luxuosos do mundo, de vários aviões a jacto, diversas propriedades, hoteis, uma rede de casas de prostituição, ter respondido por dezenas de processos em tribunal, por fraude, falsificação de documentos, envenenamento, e das penas de prisão, constantes fugas aos impostos, manter um harém destinado à prática de orgias tantricas colectivas e pedófilas, ser extraditado de diversos paises, que foi deportado para a Índia, onde morreu de Sida, etc, etc … e actualmente do OSHO INTERNATIONAL MEDITATION RESORT, em Pune, na India, ser um SPA caríssimo para gente espiritual e rica … Uma fraude, uma criatura iluminada ou “o guru dos Rolls Royce”, como também era conhecido.

  7. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 14:40

    Ó anónimo, tens razão, o Rajneesh era um excêntrico, uma criatura que fazia jus à ideia de que a santidade e a loucura andam de mãos dadas, mas duvido que tenha sido um bandido com más intenções. As orgias tântricas eram já faladas nos anos 80, quando eu li uns livros dele. Morreu de ataque cardíaco e não de sida, como dizes, e nunca tinha ouvido falar em cenas pedófilas nem em redes de casas de prostituição – mas acerca disso hás-de dizer-me as tuas fontes porque eu interesso-me por seitas em geral e esses dados são importantes. Creio que o pior que deve ter acontecido ao homem foi, justamente, ter uma legião de jovens sequiosos de “espiritualidade” a chamar-lhe guru e a segui-lo como cães a um dono, para além de muitos homens desiludidos com as esposas e mulheres na menopausa que lhe entregaram fortunas e carros de luxo, convencidos que iam atingir o samadhi nos braços do seu guru. O que fez a diferença do Rajneesh face a outros foi, justamente, o iconoclasmo, a ruptura com convenções e com tudo o que levava as pessoas a acreditar em patranhas. Para mim, as palavras dele foram decisivas, precisamente, para me ajudar a perder uma certa inocência relativamente aos charlatães, daí que não o considero como um “guru” (se queres um bom exemplo de “guru”, à moda antiga procura uma bigrafia de Ramana Maharshi e, aí sim, encontrarás o que procuras, sem orgias nem rolls royces…) mas considero-o, antes, como um filósofo. Ao contrário de gurus talhados pela e para a fraude (tipo Maharaji) ou dos infames gurus criadores de seitas perigosas tipo Ananda Marga ou Brahma Kumaris, o velho Rajneesh nunca promoveu a lavagem ao cérebro dos discípulos nem, muito menos, a estupidez – e só por isso merece ser celebrado. Suponho que a legião crescente de seguidores acabou por não se revelar muito diferente dos seguidores de um qualquer pastor evangelista do tipo daqueles que subiram na vida a vender bíblias ou dos que andam de fato e gravata a expulsar demónios do corpo dos crentes no cinema Império. Hoje o que resta é uma marca – Osho – que parece ter uma quota de mercado significativa no negócio new age. Mas não confundas: eu li dois livros do Rajneesh há trinta anos atrás e as palavras dele ajudaram-me a amadurecer. Quanto ao resto, despego-me de tudo.

    One Love

    Marley

  8. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 15:12

    Anónimo, fiquei um bocado perturbado com a ideia de estar aqui a sancionar positivamente um tipo que, não obstante eu poder ter tido no passado uma imagem dele como filósofo, poderia ser afinal um crápula. Fiz uma pesquisa rápida e a minha preocupação aumentou. Vale a pena ler o que está em http://www.enlightened-spirituality.org/rajneesh.html – que por acaso até parece um site muito new age. Aí se resumem testemunhos de gente que esteve junto da personagem e toda a história é, efectivamente, muito preocupante. No fundo, confirma a necessidade crescente de não irmos nas patranhas “espirituais” que as almas supostamente bem-intencionadas nos querem vender. Melhor aprender arte, filosofia e ciência do que acreditar nas tangas da nova era. E atenção, pois há por aí mais seitas perigosas, prontas a arregimentar os ingénuos e os fracos de espírito.

    One Love

    Marley

  9. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 16:27

    pois…mas tanta raiva, rancor e perturbação porquê? eu postei estas palavras não por serem do OSHO e terem vindo do site dele, mas porque me transmitiram uma ideia que, seja ele um crápula ou não, eu concordo. Não digo que temos que fazer yogas e jejuns e outras coisas mais como mencionou o Marley. Talvez tenhamos só que ser verdadeiros e não nos deixarmos corromper por toda a porcaria que anda à nossa volta. O que quer que sejamos está dentro de nós e não à nossa volta. Pelo menos eu sinto-me assim, em relação a valores, princípios e sentimentos. Eu não sou o que sou por a sociedade me dizer para o ser. Sou-o porque me identifico com, porque sinto que assim é que sou. É óbvio que o conhecimento não está todo dentro de mim, que o vou buscar ao mundo que me rodeia, seja ao OSHO ou a qualquer outro mais ou menos crápula do que ele, que tenha transmitido ou transmita ideias que ma ajudem a desenvolver o meu próprio conhecimento e sabedoria. Não por quem o diz, mas pelo que se diz.
    Por outro lado não acho irrelevante o lado espiritual porque, quer queiramos usufruir dele, quer não, ele faz parte de nós. Mas nesse aspecto cada um sabe de si.
    O que gostava ter transmitido com a citação é que nós já somos a almofada, não precisamos de procurar sê-la. Agora podemos e devemos enchê-la de algodão, mas com o algodão mais puro que exista, um algodão que não nos faça alergia, mas que seja fofo e confortável. Que nos aconchegue o coração.

    Joana

  10. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 16:37

    Boa, Joana! Fizeste fazer valer o teu ponto. A metáfora da almofada é bem gira!

    One Love

    Marley

  11. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 19:00

    Que bom estar sempre a aprender:
    http://www.gnosticliberationfront.com/Bhagwan_osho.htm
    e também
    http://rajneesh.info/

    One Love

    Marley

  12. Anonymous no dia 21 de Janeiro de 2008 às 20:08

    ÓME QUEREM LÁVÊR QUISTE É TUDE PSSUAL CANDA ALMARIADE OH EMTÃ ANDEM COM US JANÊRES

  13. taxkastocesoskoskoices no dia 21 de Janeiro de 2008 às 22:10

    Fora de cena quem não é de cena!
    o último não pode estar mais a leste…já não admira

  14. Amorena no dia 21 de Janeiro de 2008 às 23:01

    YAY !!! Já bem dizia o outro: -Falem…bem ou mal, mas falem…
    Curioso, este post k bateu o SL em comentários…Hehehe
    Dá k pensar!
    Brava Joana! E mais até pelo comentàrio d k pelo post em si…smiles…

  15. Formiguinha no dia 22 de Janeiro de 2008 às 1:19

    Gostei da imagem da almofada!

  16. Margaridaa no dia 22 de Janeiro de 2008 às 8:50

    Tenho a dizer que há muitos anos li um livro de Bhagwan Shree Rasheesh, (futuro Osho) intitulado Tantra, a suprema compreensão. E lembro-me de ter gostado imenso, de ter sentido uma empatia com aquilo que o homem dizia. Curiosa , fui procurá-lo a um canto da minha estante e folheei-o. Continuo a sentir a mesma coisa, a mesma admiração por quem consegue materializar em palavras muita coisa do que sinto como verdadeira.

    Certo, como diz o primeiro anónimo, há muitas coisas criticáveis.Mas isso vem do homem e não da sua obra.

    E depois, não é o primeiro que desenvolve uma imensa máquina à volta da ideia. Sem querer ofender ninguém,e sem querer comparar o que não é comparável, o que dizer da enorme máquina montada à volta das ideias iniciais de Jesus, o Vaticano, a igreja…

    Apeteceu-me deixar aqui mais um pedacinho de BSR que encontrei no livro que voltei a abrir, e que gostei muito.

    Caminhar sobre a grama
    Quando as gotas de orvalho ainda não se evaporaram,
    E sentindo totalmente
    A textura, o toque da grama,
    A frescura das gotas de orvalho,
    O vento da manhã, o nascer do sol.
    Que mais precisas tu para ser feliz?
    Que mais é necessário para ser feliz?

  17. Margaridaa no dia 22 de Janeiro de 2008 às 9:03

    Por um erro meu não copiei a primeira parte do comentário que fiz.Ela aqui vai :

    Desde ontem que ando para juntar o meu comentário.

    A OBRA TRANSCENDE SEMPRE O SEU AUTOR

    Isto aplica-se não só aos gurus, como a todos os que transmitem qualquer coisa. Importante é aquilo que recebemos. Há Picasso, cuja neta escreveu um livro, só a dizer mal da maneira de ser dele (o que a meu ver não tem relação com a obra), há Jacques Salomé, um autor conceituado que escreve sobre relacionamentos humanos e que no entanto é divorciado…O homem é o homem, é a sua obra que é importante e aquilo que podemos ganhar com ela.

  18. formiguinha no dia 23 de Janeiro de 2008 às 2:01

    Margaridaa pareces adivinhar quando estou mesmo a precisar de ouvir as tuas palavras. Saravá AMIGA!

  19. Margaridaa no dia 23 de Janeiro de 2008 às 8:41

    Formiguinha, bom saber isso, bom saber-te por aí. Um beijinho.

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