22 de Setembro 2008 às 23:19

(Ainda porque tudo isto também me faz pensar no dia sem carros…)


3 Comentários

  1. Margaridaa no dia 23 de Setembro de 2008 às 6:30

    Música lindíssima!
    A imagem de baixo faz lembrar um filme de ficção científica!!!

  2. 13 no dia 23 de Setembro de 2008 às 10:12

    Boas expressão gráfica (renealmanza)

    Djivan Gasparyan – De acordo com a lenda, os arménios ter-se-iam apresentado perante Deus já depois de este ter concluído o povoamento da terra. “Lamento mas restam apenas estas pilhas de pedras”, disse-lhes Deus. Os arménios tiveram assim que se contentar com essa terra austera e acidentada nos contrafortes do Cáucaso, sempre coberta de neve, hoje uma república independente da ex-U.R.S.S.

    Para Djivan Gasparyan, o mais famoso músico da Arménia, esta é uma das razões pelas quais o duduk tem um som tão melancólico e triste. A outra tem a ver com a história trágica deste povo, sempre submetido ao longo dos séculos por impérios fortes, tragédia que culminou com o primeiro genocídio do século XX perpetrado pelo Império Otomano em 1915 e que levou ao desaparecimento de um milhão e meio de arménios. Esta data pôs fim à Arménia ocidental, originou a anexação pela Turquia de uma parte considerável dos seus territórios e iniciou a diáspora do povo arménio, sobretudo em direcção à América.

    A diáspora, outra razão que explica o som meditativo e sofredor do duduk, um dos mais antigos instrumentos de sopro do mundo, com uma sonoridade semelhante à do clarinete, que se supõe ter cerca de 1500 anos. Feito de madeira de pessegueiro, uma árvore mítica que os arménios crêem ser originária do planalto de Ararat, o duduk era a flauta dos pastores. Graças à mestria de Djivan Gasparyan este instrumento simples e rudimentar é hoje reconhecido internacionalmente e já se fez ouvir na companhia de orquestras e músicos célebres.

    Mas o que o torna tão especial é a maneira como é tocado, a sua técnica de respiração contínua, que Djivan Gasparyan aprendeu muito novo. Começou com o pai, tinha apenas seis anos, embora o que o tivesse marcado e feito avançar na aprendizagem do duduk fosse o cinema. Ficava fascinado com os músicos que acompanhavam o filme, que em si mesmo pouco lhe interessava e com a capacidade que tinham de tocar, apenas com o duduk, melodias românticas, tristes ou alegres conforme as cenas.

    Com apenas entre 25cm a 40cm, uma palheta dupla, oito orifícios para os dedos e um para o polegar na parte inversa que pode modificar a escala numa oitava, o som grave, melancólico e etéreo que produz é fruto principalmente da mestria de quem o toca, da sua agilidade de dedos e da sabedoria do sopro. É um instrumento extremamente difícil de tocar, que só um treino quotidiano e persistente consegue trazer à superfície a sua alma, a alma do povo arménio.

    Djivan Gasparyan consegue-o e prova-nos como um simples instrumento de pastor pode interpretar para além dos temas pastoris, música medieval, ou os antigos hinos sagrados da liturgia cristã arménia. As suas interpretações não se limitam a preservar o património, testemunham também um desejo de ir mais longe, pois Djivan Gasparyan é também cantor, compositor e responsável pelo duduk baixo, uma novidade desenvolvida por si.

  3. Maio no dia 23 de Setembro de 2008 às 14:57

    E para quem não reparou, é ele o convidado da Sainkho Namtchylak em “Naked Spirit”…

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