01 de Junho 2011 às 12:47

Não sei quando é que nos tornámos todos peritos em economia. Quando deixámos de nos interessar pela vida para nos interessarmos pelo dinheiro e pela supremacia do dinheiro. Um grupo de gente que tem muito dinheiro e gosta de fazer ainda mais dinheiro resolveu que as pessoas que têm menos dinheiro têm de pagar os seus exercícios e erros. Se quiséssemos reduzir a crise financeira internacional a meia dúzia de palavras, podíamos dizer que o dinheiro acabou para aqueles que nunca o tiveram, de modo que aqueles que o perderam em especulações possam recompor os seus lucros e expectativas. Para que os bónus de ‘performance’ e de ‘retenção’ dos banqueiros, investidores e gestores se mantenham elevados, temos de andar rentes ao chão. E nenhum Estado, nenhum sistema político, nenhuma democracia consegue devolver à “nova ordem mundial” um módico de racionalidade. Porque os sacerdotes da ordem convenceram o mundo, democrático e globalizado, de que o mundo depende deles. De que o nosso bem-estar, o nosso salário, o nosso acesso, a nossa vida em geral dependem de um grupo de gente cujo mérito é o de multiplicar dinheiro por dinheiro.

 

Clara Ferreira Alves

EXPRESSO


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