Do homem- presidente e do homem-escritor
Penso que a tolerância tem que funcionar em todos os sentidos e não somente em relação ao que se parece.
Esta situação que vejo:
Há o homem-presidente e o homem-escritor. O homem escritor tem como posição de vida dizer abertamente o que pensa, contra ou a favor, do mundo que o rodeia e das pessoas. O homem-presidente tem que cumprir as suas obrigações de presidente, mas não deixa de ser homem, com os seus gostos e as suas posições. Talvez que o homem-presidente nem goste muito do homem-escritor, está no seu direito, mesmo que o homem-escritor seja adorado e elogiado por muitos. Quando o homem-escritor morre, o presidente cumpre as suas obrigações, mas o homem-presidente não mostra ao seu apreço pelo homem-escritor. Parece-me que está no seu direito.
Crispa-me ver a falta de tolerância que anda por aí, falta de abertura para as reacções de cada um, quando essas reacções não se encaixam na reacção geral. Mudaram-se os tempos, mas as pessoas continuam na mesma.

















2 Comentários
Nakata no dia 22 de Junho de 2010 às 11:10
“As televisões não se calam com a “ausência das mais altas figuras do Estado” nas exéquias de Saramago. Mas por que carga de água o funeral de um escritor (actor, cientista, artista plástico, músico, etc.) tem de cumprir o protocolo dos actos oficiais?
Quanto se viu nas reportagens, Saramago teve a seu lado a mulher e a filha, outra família, amigos, camaradas de partido, intelectuais, políticos (o primeiro-ministro, a vice-presidente do governo espanhol, as ministras da Cultura de Portugal e Espanha, o presidente da Câmara de Lisboa, o secretário-geral do PCP, um representante do presidente do PSD, etc.), figuras públicas e milhares de anónimos. Não precisava de mais. Um funeral é um acto privado. Bem andou a família Sousa Tavares quando (vai fazer seis anos daqui a dias) reservou as exéquias de Sophia de Mello Breyner Andresen ao restrito círculo familiar.
Fazer extrapolações é pura demagogia.”
In “Da Literatura” -
anab no dia 22 de Junho de 2010 às 20:54
Nem mais!
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