08 de Junho 2011 às 18:18

Os famosos bonecos azuis, criados pelo ilustrador belga Peyo, estão envolvidos numa grande polémica em França, onde um académico afirma que os Estrunfes de inocentes bonecos nada têm.

Antoine Buéno é um professor francês que publicou agora um livro “Le Petit Livre Bleu: Analyse critique et politique de la société des Schtroumpfs”, onde faz uma análise sobre os bonecos azuis, investigando a história dos Estrunfes, as mensagens subliminares de cada personagem, o dia-a-dia das histórias. No seu estudo, o autor garante ter encontrado vários valores totalitários.

Para o francês, a sociedade dos Estrunfes é “típica de uma utopia soviética”, destacando que “cada um se veste da mesma maneira, tem uma casa igual à do seu vizinho, e exerce a profissão mais adequada às suas habilidades, não sendo conhecidos pelo seu nome mas sim pela sua função na sociedade.”

Antoine Buéno escreve ainda que os Estrunfes vivem num mundo em que a iniciativa privada não é estimulada, onde as refeições são feitas em comunidade, numa sala partilhada, e, acima de tudo, têm um único líder, não podendo abandonar o seu pequeno país.

“Isto não vos faz lembrar nada? Talvez um regime ditatorial?”, questionou o professor, citado pelo “Le Figaro”, numa palestra na Universidade Science Po, em Paris, comparando assim o mundo dos Estrunfes ao regime estalinista, onde o pai se veste de vermelho e é parecido com Estaline, e o estrunfe inteligente é a representação de Trotsky.

No seu estudo, o académico dá especial enfoque a um episódio onde os Estrunfes são mordidos por uma mosca que os torna pretos e os deixa mudos, aludindo ao colonialismo.

Estas afirmações não têm sido bem aceites pelos fãs dos bonecos azuis que rejeitam esta nova versão. Na Internet e nas redes sociais as críticas a Antoine Buéno não têm parado e há quem o chame de “destruidor de sonhos.”

Ao “The Guardian” o autor explicou que nunca esperou esta reacção do público. “Eu não quero desencantar ninguém. É possível manter uma abordagem infantil e fazer uma abordagem analítica”, disse o francês, explicando que toda a sua investigação foi “muito rigorosa e documentada.”

“Eu não acredito que Peyo tenha feito de propósito mas a verdade é que inconscientemente estes elementos estão lá.”

O filho do criador também já veio a público explicar que o seu pai, Peyo, nunca teve interesse pela política e por isso esta nova versão dos Estrunfes não faz sentido. Ao francês “L’Express”, Thierry Culliford disse que não leu o livro de Buéno. “Ele pode interpretar as histórias como ele quiser, mesmo que eu não subscreva essa interpretação, desde que não ataque o meu pai e o seu trabalho.”

Peyo morreu em 1992 e foi o seu filho Thierry Culliford quem continuou a escrever as aventuras dos Estrunfes.

Ainda este ano a história dos bonecos azuis com gorros brancos deve chegar aos cinemas …

Cláudia Carvalho – PÚBLICO


4 Comentários

  1. Holof. no dia 8 de Junho de 2011 às 19:03

    Grande Strunfada!

  2. xinha no dia 8 de Junho de 2011 às 19:35

    eheheh. esse estudo até tem a sua piada, mas pode não ter nada a ver, de facto, com as reais intenções do criador.

    Quem é desenhador ou ilustrador sabe bem como ás vezes é imperativo para agilizar a narrativa ou acelerar o processo de produção simplificar algumas opções. por isso se recorre a estratégias como cenários que se repetem, personagens iguais, etc, tudo para obter um melhor resultado visual. E os argumentistas tb se orientam da mesma maneira: simplificando, simplificando… e claro bebendo inspiração no seu tempo..

  3. Margaridaa no dia 9 de Junho de 2011 às 7:11

    …como diz o holof., grande strunfada!
    Tenho que reconhecer que não conheço bem as histórias dos Estrunfes mas, há sempre quem pense saber mais sobre qualquer coisa, quem queira explicar tudo. Mesmo sobre o Petit Prince, há um livro que se propõe dissecar tudo ao pormenor. Eu nunca li, mas já o vi na biblioteca.

  4. Anónimo no dia 12 de Outubro de 2011 às 20:02

    adoro os smurfs.apesar de ja ter ido ver o monte carlo em miami

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