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  • 08 de Outubro 2009 às 17:00

    PELAMIS – As Serpentes Marítimas

    pelamis

    Descobri este projecto escocês, no outro dia a ver tv, num programa do National Geographic sobre o aproveitamente da força das ondas para produzir electricidade. Chama-se Pelamis, o nome em latim, dado pelos romanos às serpentes marinhas. Espantosamente, a sua primeira aplicação prática foi o resultado de uma encomenda feita pelo Governo Português à empresa que constrói estas máquinas, com o intuito de as colocar no Atlântico, ao largo do Alentejo, longe da vista. (Por mim, até me pareceu não ser necessário esconder as máquinas à distêancia, pois não são nada feias. Até me ocorreu uma ideia que não sei se alguém já pensou de usar esta tecnologia de produção de electricidade, na protecção de algumas linhas costeiras – como a da Costa da Caparica – constantemente fustigadas pelo Mar. Era um modo de “juntar o útil ao útil” e combinar duas funções de um modo que me parece ser mais construtivo do que o actual e dispendioso processo adoptado de passar a vida a encher a praia de areia que o mar voltará a levar. Quem costuma ir à Costa sabe do que estou a falar. Claro que só os engenheiros poderão dizer se esta minha ideia tem alguma viabilidade, mas não me parece má).

    Tanta coisa se faz neste País (de que temos sempre tendência para dizer mal) que não sabemos e que se encontram na vanguarda da investigação e da inovação tecnológica. Adiante segue um excerto de uma pequena notícia publicada no DN e que passou despercebida a quase toda a gente:

    “Portugal prepara-se para inaugurar o primeiro parque comercial de energia das ondas, capaz de fornecer energia “limpa” a 350 mil casas . As máquinas Pelamis, nome latino que designa as serpentes marítimas, desenhados por uma empresa escocesa que é líder mundial neste novo tipo de energia renovável, são compostas de vários cilindros vermelhos, cada um deles do tamanho de um pequeno comboio regional, conectados entre si, e que apontam na direcção das ondas.
    A nova tecnologia baseia-se na introdução da energia criada pelas ondas nos tubos, fazendo com que estes subam e desçam no leito do mar. A energia assim armazenada é depois ligada a um sistema hidráulico que a produz. As três serpentes marítimas serão em breve colocadas num ponto a cerca de cinco quilómetros da costa portuguesa, (perto da Póvoa de Varzim), a partir da qual a energia será bombeada para a rede nacional.Esta operação de alta tecnologia não está isenta de problemas.
    A data-limite para a instalação do parque estava programada para hoje, mas uma combinação entre mau tempo, pouca sorte e os riscos próprios de uma tecnologia nova tivera m como consequência que as máquinas se encontrem ainda em terra firme, à espera de uma oportunidade de mar calmo para que sejam colocadas no seu lugar final.As máquinas Pelamis foram desenhadas e construídas na Escócia pela empresa Pelamis Wave Power (PWP), mas a intervenção portuguesa foi decisiva para que o projecto adquirisse verdadeiro ímpeto. O dono da obra é a empresa portuguesa Enersis, com largo percurso na capítulo das energias renováveis.
    Admitindo que, inicialmente, a energia produzida pelo novo parque não seria rentável, a Enersis conseguiu do Governo a fixação de tarifas que tiram à questão da rentabilidade a sua natureza central. “O que estamos a montar é o primeiro parque de energia das ondas do mundo”, disse ao The Guardian António Sá da Costa, da administração da Enersis. “Isto não está isento de riscos”, acrescentou, “mas Portugal é o lugar ideal para tentar provar a exequibilidade da tecnologia”. “Possuímos uma costa de grande extensão, em comparação com o nível populacional do País, e com o apoio do Governo decidimos avançar”, explicou. A Enersis conta ter 30 máquinas em funcionamento já no próximo ano. ”

    in DN, 03/10/2007

    Nota: Creio que, neste momento, o projecto já é uma realidade e a empresa referida em epígrafe já dispõe das suas máquinas a funcionar no mar alentejano, produzindo electricidade 100% limpa


    6 Comentários

    1. xinha no dia 8 de Outubro de 2009 às 17:52

      pois é uma ideia fixe, a da tecnologia e a tua. mas talvez dificulte a navegação da pesca do arrasto ali na costa, pelo menos nalguns sìtios.
      pelo que sei esta tecnologia é tb mto cara.

    2. Holof. no dia 8 de Outubro de 2009 às 18:27

      Já tinha ouvido falar desta tecnologia, uma boa ideia, como todas as que sejam renováveis. Mas ver desde a praia… hum, não sei…muito bonito não seria…

    3. Margaridaa no dia 9 de Outubro de 2009 às 6:32

      Vi na rtp e vi-as , as pelamis, a flutuar. É um projecto inovador e “clean”, de louvar.
      Agora a parte estética…hum…fez-me pensar nas eólicas:Há uma terrinha que conheço bem. Quando se chega a essa terra vindo de um certo lado, a terra aparece na encosta, bonita.
      Agora,a vista é um bocadinho surreal, faz lembrar um filme de ficção científica, vê-se a terrinha, linda como sempre, e por detrás, as eólicas, muitas, mais altas do que a terrinha, com as suas pás a girar. Tenho que me lembrar que é um bom projecto, para gostar do que vejo. (Porque é que os moínhos são mais bonitos que as eólicas?)

    4. Anónimo no dia 9 de Outubro de 2009 às 10:36

      Era só uma ideia… Dado o facto de na Costa existir um crónico problema de “desareamento” (como dizem os alentejanos). A visão de “cobras no mar” assim como a dos geradores eólicos não é algo que me choque. Acho até piada à emergência de certos elementos industriais (próximos quase da ficção científica) em paisagens campestres (e, porque não, no mar também), sobretudo sabendo que se tratam de dispositivos que permitem “poupar” recursos e o ambiente.
      Uma “compartimentação” excessiva das paisagens, do tipo campo vs. cidade às vezes pode ser até um pouco artificial… Como aquelas gajas que tapam as borbulhas e as rugas com camadões de base e que, sempre que lavam a cara lá está a realidade à vista (e quando não a lavam, a pele delas parece artificial, plástico quase)

    5. xinha no dia 9 de Outubro de 2009 às 11:41

      A mim tb não me choca a parte visual nas eólicas, mas já ouvi dizer, que os que vivem perto se queixam do barulho terrivel que fazem. Não sei se é verdade, talvez seja treta.

    6. Margaridaa no dia 10 de Outubro de 2009 às 8:41

      …bem, eu gosto da compartimentação das paisagens, dá-me um prazer profundo contemplar uma paisagem onde não se vê vestígios da mão do homem, ou onde se vê, esses vestígios estarem bem inseridos na paisagem.

      Mas…sou a favor destes projectos alternativos, isso sou.

      Quanto ao barulho, não é treta, é mesmo verdade, mas não é um barulho terrível, é o som das pás a roçarem no vento.
      (Quem daqui já ouviu o maravilhoso som dos “búzios” das pás dos moínhos? Também pode ser um barulho terrível.Eu gosto muito.)

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