Já aqui tinha falado dele (Eduardo Sá), quando ainda não conhecia o livro (Encosta-te a mim e deixa-te estar). E agora que tenho o livro… apeteceu-me dar-vos a ler mais um bocadinho, uma crónica que eu gostei muito:

Já aqui tinha falado dele (Eduardo Sá), quando ainda não conhecia o livro (Encosta-te a mim e deixa-te estar). E agora que tenho o livro… apeteceu-me dar-vos a ler mais um bocadinho, uma crónica que eu gostei muito:
“Para sonhar vividamente tenho uma fórmula privada que consiste em beber leite com sal antes de me deitar. As vezes, também como umas bolachinhas. É essa a minha receita para os sonhos”.
Laurie Anderson
Palavras sobre as palavras:
O meu desentendimento com o mundo é também um desentendimento linguístico. Tenho uma relação obsessiva com as palavras. As palavras não são apenas um «meio de comunicação», não podem ser atiradas e retiradas, não devem ser usadas de modo leviano, não se esfumam depois de serem ditas, não se equivalem umas às outras, têm o seu peso, ficam marcadas como cicatrizes. Deve haver pouca gente com tão fraca memória como eu, mas em contrapartida lembro-me exactamente de todas as palavras importantes que me foram ditas, das pessoas que foram importantes para mim. É possível dizer que no meu cérebro cada pessoa existe ligada a determinadas palavras, palavras quem me escreveu ou disse, e já percebi que o tempo não altera isso. Não aceito certas palavras, o uso irresponsável de certas palavras, boas ou más, nem esqueço quem o disse, e quando e porquê. Afasto-me das pessoas por causa das palavras, as palavras tornam-se um meio de «incomunicação», mas disso não me arrependo. Não me arrependo daquilo em que acredito.
Aqui, por Pedro Mexia.