14 de Janeiro 2011 às 08:36

Já aqui tinha falado dele (Eduardo Sá), quando ainda não conhecia o livro (Encosta-te a mim e deixa-te estar). E agora que tenho o livro… apeteceu-me dar-vos a ler mais um bocadinho, uma crónica que eu gostei muito:

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23 de Novembro 2010 às 09:19
“Na verdade, o mundo interior não divide as pessoas entre as estranhas e as de família. Mas entre os viajantes e os aventureiros, os arquitectos do nosso coração e os alquimistas.
Os viajantes e os aventureiros são pessoas que nos surpreendem de passagem. São como pirilampos que nos dão uma luz e, de seguida, nos desassombram com outra decepção.
Os arquitectos do nosso coração rasgam avenidas ou desvendam planaltos. E guiam-nos. Trazem consigo as revoluções tranquilas que acrescentam outros lugares aos pontos cardeais.
Os alquimistas desconcertam mais. Abrem persianas na nossa alma, dão-lhe sol e transformam-nos para sempre.(Peço-vos que não me perguntem onde fica a alma, porque não sei. Mas, como sabem, dá jeito imaginar um «lugar ao sul» que defina o mais fundo de nós e que não tem definição). Como se não bastasse, os alquimistas percebem que aquilo que distingue as «boas prendas» dos «presentes» são os laços. E nunca nos perguntam se estamos tristes ou aflitos. Antes nos dizem:
«Chega-te a mim… e deixa-te estar»

em “Chega-te a mim e deixa-te estar» de Eduardo Sá
22 de Novembro 2010 às 10:02

Caminho da manhã

(Clicar na imagem para aumentar)

16 de Julho 2010 às 01:34

“Para sonhar vividamente tenho uma fórmula privada que consiste em beber leite com sal antes de me deitar. As vezes, também como umas bolachinhas. É essa a minha receita para os sonhos”.

Laurie Anderson

21 de Abril 2010 às 07:58

Palavras sobre as palavras:

O meu desentendimento com o mundo é também um desentendimento linguístico. Tenho uma relação obsessiva com as palavras. As palavras não são apenas um «meio de comunicação», não podem ser atiradas e retiradas, não devem ser usadas de modo leviano, não se esfumam depois de serem ditas, não se equivalem umas às outras, têm o seu peso, ficam marcadas como cicatrizes. Deve haver pouca gente com tão fraca memória como eu, mas em contrapartida lembro-me exactamente de todas as palavras importantes que me foram ditas, das pessoas que foram importantes para mim. É possível dizer que no meu cérebro cada pessoa existe ligada a determinadas palavras, palavras quem me escreveu ou disse, e já percebi que o tempo não altera isso. Não aceito certas palavras, o uso irresponsável de certas palavras, boas ou más, nem esqueço quem o disse, e quando e porquê. Afasto-me das pessoas por causa das palavras, as palavras tornam-se um meio de «incomunicação», mas disso não me arrependo. Não me arrependo daquilo em que acredito.

Aqui, por Pedro Mexia.

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