13 de Dezembro 2011 às 08:18

A única maneira de teres sensações novas é construires-te uma alma nova. Baldado esforço o teu se queres sentir outras coisas sem sentires de outra maneira, e sentires-te de outra maneira sem mudares de alma. Porque as coisas são como nós as sentimos — há quanto tempo sabes tu isto sem o saberes? — e o único modo de haver coisas novas, de sentir coisas novas é haver novidade no senti-las.

Mudar de alma. Como? Descobre-o tu.

Desde que nascemos até que morremos mudamos de alma lentamente, como do corpo. Arranja meio de tornar rápida essa mudança, como com certas doenças, ou certas convalescenças, rapidamente o corpo se nos muda.

by Bernardo Soares

in Livro do Desassossego

23 de Maio 2011 às 22:22

A alta finança internacional (aquilo que muitos distraídos e mal intencionados chamam “os mercados”) não parará. Vai estourar com a União Europeia e acabar com tudo aquilo que os cidadãos conseguiram desde o século XIX. Ainda podemos vir a assistir à proibição da greve ou até à ilegalização dos sindicatos. Não há grande alternativa: os partidos da alta finança ganham sempre as eleições, porque dominam a opinião. Trata-se daquilo a que costuma chamar-se “democracia”, quer dizer, ditadura com liberdades.

Esta ditadura não cederá com manifestações de rua, por mais milhões de pessoas que nelas participem. A única maneira de parar ou fazer hesitar os “mercados” seria meter-lhes medo. Mas não há o perigo disso suceder: olho até aos horizontes do espectro político e não vislumbro ninguém que faça medo aos “mercados”. Só grupos de jovens desesperados e organizações acomodadas à sua rotina parlamentar ou sindical.

Paulo Varela Gomes

Historiador

06 de Abril 2011 às 14:33

Uma reunião entre o BE e o PCP na sexta-feira vem abrir algum espaço para a esperança. A concertação entre os dois partidos é um progresso (digo eu), pois, face à gravidade da situação, juntaram-se para afirmar uma alternativade governo, coisa que antes não fazia parte das possibilidades de escolha.
Ao ler as notícias de ontem relativas aos dois, foi com satisfação que percebi que propostas como o controlo público da banca comercial, a renegociação das parcerias público-privadas, a reestruturação da dívida pública, a aliança das periferias no campo europeu, etc. fazem parte da agenda em discussão.
Outras medidas como a venda de títulos detidos por instituições públicas, defendida pelo PCP, ou empréstimos do BCE, intermediados pela CGD, propostos pelo BE, são propostas originais que respondem às urgências do momento e merecem atenção. De igual modo, também a reflexão sobre a União Monetária e o seu futuro é oportuna.
Este é, no entanto, um caminho longo em que há propostas que têm de ser devidamente ponderadas e debatidas com honestidade (que é das coisas que mais têm faltado na governação deste País). Uma honestidade sistémica na articulação sectorial entre o sistema financeiro, a indústria, a agricultura e o Estado, poderia orientar-nos no rumo de um crescimento ambientalmente sustentável, gerador de emprego e de trabalho com qualidade.
Exigimos esperança, sabendo que o caminho se faz caminhando
(in – com alterações – “Ladrões de Bicicletas”).

16 de Março 2011 às 17:14

Não é bem como as flores e as notas primaveris da maior parte dos últimos posts… Mas sim um grito de revolta num País de merda, cheio de chulos e ladrões que comprometem não só o meu futuro, mas sobretudo o das crianças que nem souberam o que foi o fascismo, nem têm culpa nenhuma desta “fascistocracia” foleira de velhos que nos tentam convencer que foram herois que “nos safaram de boa”… Pois foi, safaram e entalaram logo a seguir…

Puta que os pariu a todos (SE ME PERDOAM O VERNÁCULO)

A propósito da democracia (que deve ser um meio para, mais do que fim em si própria… o meu amigo Dragão escreveu um texto longo que termina assim:) …enquanto tudo não passou dum esquema típico do Exturquistão – enquanto foram subtraindo apenas as contribuições, os impostos e os fundos putativamente destinados às pessoas, mais os cargos, os subsídios e os ecrãs, a cleptocracia mixordeira que se traficou por democracia puro malte, foi sendo mais ou menos tolerável. Mas quando mais que a carteira, já é o futuro e os sonhos que se perpetra roubar a todo um povo, então a falcatrua, de abusiva devém assassina, e, aí, torna-se intragável, insuportável, abjecta. Mais: torna-se dever de todo o português vertebrado acabar com ela! Não com a democracia que não existe, mas com a corja de narcisos insaciáveis que se faz passar (e pagar opiparamente) por ela. Porque a democracia é uma simples forma duma sociedade se organizar, que pode funcionar melhor ou pior, ou assim assim. Não é, de todo, e à semelhança de outros palavrões inefáveis e ultra-maquilhados (estilo Mercado, por exemplo), como nos querem fazer crer, um ídolo feroz e inescrutável que exige a submissão e o masoquismo exacerbado das humanas gentes. E não é, tão pouco, um luxo, pelo qual um povo inteiro se tenha que arruinar, suicidar e empenhar os vindouros até à sétima geração. Luxo mesmo, daqueles supinamente incomportáveis, é uma corte destas, tão descomunal, cigana e dispendiosa, para um rei-povo reduzido à indigência (mental, moral e económica) e um reino outrora soberano remetido à mendicidade!

03 de Março 2011 às 15:39

Na AV. da LIBERDADE, dia 12 de Março de 2011 vamos dizer BASTA!!

A geração à rasca” (este texto foi roubado… o que está entre parentesis foi por mim acrescentado, mas no geral subscrevo-o até à vírgula e com a idade que tenho, quase poderia fazer parte da “geração Soares”, mas nunca votei nele, nem nunca participei nesta farsa a ponto de me sentir com culpas no cartório. E dia 12 lá estarei…)

“3.Escrevi (O Mário Soares) nesta coluna, há duas semanas, um texto sobre os Deolinda, falando da geração que, pela primeira vez, vai provavelmente viver pior do que as que a antecederam. (…) pude, finalmente, ler um blogue que circula inspirado na canção – ou melhor, aproveitando-a – para convocar para o próximo dia 12 de Março uma manifestação de protesto, que querem tenha um milhão de participantes – imagine-se! – contra a política, os políticos, os partidos, sem excepção, o Parlamento, o Governo, a justiça, a economia, as finanças, etc.. Sem indicar qualquer alternativa relativamente ao que querem. Que objectivo move os autores deste blogue?
E haverá outros? Querem alguma coisa mais do que o caos? Não se trata de anarquistas. Nem, muito menos ainda, de marxistas, nem sequer de islâmicos radicais. Serão movidos tão-só pelo desespero? Tratando-se de desempregados e de precários, pode-se talvez compreender. Mas não, seguramente, apoiar. Porque são perigosos, antidemocratas, niilistas. Parece que esperam que alguém lhes indique um caminho. Mas qual e quem? A isso respondo: não, muito obrigado! Já tivemos disso 48 longos anos e não queremos mais…”
Mário Soares

Parece que há uma outra geração que começa a ficar à rasca: a mesma que nos deixou o país neste estado deplorável e a quem agora pedimos contas (…) de um futuro hipotecado. A que continua a não perceber que são eles quem continua a manter o fascismo vivo e não nós. (A mesma que nos fode todos os dias, à medida que enche os bolsos).
Agradecemos a liberdade a quem no la deu – e não foi (certamente) o sr. Soares (que estava) em França (e de lá voltou todo contente e com o rei na barriga, como se a revolução a tivesse feito ele) ou o sr. alegre na Argélia. Foram os Homens que se revoltaram e tomaram uma atitude, não os que chegaram no dia seguinte para colher os louros e começar a brincar ao “vamos governar um país”. são eles quem mantém vivos os fantasmas do passado, acreditando que ainda nos assustam [e que lhes servem de factor de legitimação. Atente-se na Campanha Eleitoral do Manuel (pateta) Alegre para presidente e pergunte-se a um miúdo de 20 ou 30 anos o que é que o seu "combaste anti-fascista" lhe diz]. não assustam, nós somos já uma geração de liberdade e por muito que queiram não temos culpa de não termos lutado contra o fascismo ou de não termos sido perseguidos pela pide…
Agora se esta geração começar a perceber que niilismo é o estado actual em que sob a capa da teórica liberdade – que se há a de expressão, muitas outras faltam – começam a ficar à rasca, sim, porque tudo o que não se percebe assusta, assusta o ROCK dos Deolinda, porque se os jovens ouvem, é rock; assustam pessoas que se juntam sem ser em partidos ou sindicatos ou outra qualquer organização infiltrável e controlável; assusta a possibilidade de ter que prestar contas sobre o passado; assusta aquela incerteza de futuro (e se assusta, então sabem o que nós sentimos, só que não sabem que sabem… porque tudo isto, NÓS, é novo para a Geração Soares).
O próprio sr. soares anda demasiado baralhado para sequer ser já digno de escrever opinião pública, já se calava. vejamos:
Não foi há 2 semanas mas sim há 3 que o senhor havia escrito sobre a música de Deolinda e, sem a conhecer opinar. depois conheceu e não gostou do que leu. temos pena. já agora ouvia também, partindo do princípio que conseguirá distinguir rock do estilo musical que os Deolinda interpretam (que há 3 semanas o sr. chamou de pop…).
O Protesto da Geração à Rasca não é um blogue, é um evento, livre! Vai quem quer – o que o sr. chama de “antidemocráticos” portanto. A diferença entre um blogue e um protesto? peça que lhe expliquem e já agora pergunte pelo Facebook, vai ver que o mundo tem vindo a mudar.
De facto “Não se tratam de anarquistas. Nem, muito menos ainda, de marxistas, nem sequer de islâmicos radicais.” (categorizemos assim as pessoas e depois demos vivas à liberdade, não é sr. soares?). tampouco somos niilistas, temos sido até agora, sim, quietos, calados, encarneirados. agora não queremos mais um país sem rumo.
Porque vocês que nos têm governado é que são perigosos, antidemocratas, niilistas e parece que esperam que alguém (Alemanha, EUA, URSS, etc.) lhes indique um caminho. Mas qual e quem? A isso respondo: não, muito obrigado! Já tivemos disso 36 longos anos e não queremos mais…

MORRA A GERAÇÃO SOARES, MORRA, PIM

(metaforicamente, claro, sr. Soares, é melhor explicar não vá o senhor assustar-se e dar-lhe uma coiosa qualquer…)

Voltar ao início

3D Action Sampler Alkazum Amizade Amor Anaglyph Animação Aniversário Anjo aranha Arquitectura Arrábida Arte Astrologia Astros Aura Autismo aves BD Biblioteca Bichos Bicicletas biscoitos blogs Blues Boas Festas Book Bretanha Bruxelas budismo Cabo da Roca Cacilhas Calor celebração Cinema Ciência - Biosfera Cogumelos Comics comida Contos Cor Cosey cozinha Crise curiosidades Curta metragem Cães Dança Darwin Da vida dos insectos delícias desenho design Digital Art Dignidade humana Direitos humanos do Druida Entardeceres Entrevista Escultura espiritismo Espiritualidade Espírito Facebook Família Fanfarra Fenómenos festas populares Ficção Científica Filmes Flash Flash Mob Flipnote Flores Floresta Fotografia Francisca Frases soltas Futilidades Gatos gente Geometria Geração à Rasca Gif Golfinhos Google Graffiti Guitarra Gulbenkien Habilidades Haiku Halloween Harpa Histórias Holanda Humor Ideias Ilustração Ilusões Indigo Infância Inspiração Interactividade Inverno Iogurte caseiro Joalheria Joaninhas Jogos Juventude les tragédies minuscules Liberdade Lisa Ra Lisboa Litlle Girl Giant Lua Luz Mafalda mandala Manga Mantra Mar Marionetas Matemática Meditação Moda Modos de vida montras musica falada Máscaras música Nascimento Natal Natureza nenúfar Neve nickname Nigella! Nocturno Nuclear Opinião Outono Ovnis palavras palavras e palavrões papel Paris Parvoíces Passeios Património Pedro percussão Piano Poesia Pormenores Praga praia Presépio Primavera Publicidade Pássaros Rainbow Receitas Reggae Religião Remix Rir Rodrigo S. João Salamandra Sardão Saudação Saúde Serra Shopping Sintra Sismo Sites Sol Solidariedade Sombras Sonhos Sons SoS Stencil Stop Motion Street Art Suiça Surrealismo sustentabilidade taroterapia Teatro Tejo this moment Tintin Turquia U.Porto Ukulele Universo Versões Verão viagem Vida Vila Nova do Ceira Worldmusic Zen Árvores Óbidos