04 de Dezembro 2011 às 19:23

Quando a pátria que temos não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades

Sophia de Mello Breyner

 

01 de Dezembro 2011 às 12:45

Pousada numa âncora, uma gaivota pia.

De súbito, sem uma palavra, a âncora desliza.

Surpreendida, a gaivota levanta voo.

Em breve, a âncora empalidece na água, afundando-se.

E o que a gaivota sente torna-se um grito bravio, triste,

Perdido no vento.

by Maruyama Kaoru

25 de Novembro 2011 às 08:41

Poesia no metro (2)

20 de Novembro 2011 às 10:23

Poesia no metro

27 de Outubro 2011 às 06:46

“Em cada cem pessoas:
sabendo de tudo mais do que os outros:
– cinquenta e duas,

inseguras de cada passo:
– quase todas as outras,

prontas a ajudar
desde que isso não lhes tome muito tempo:
– quarenta e nove, o que já não é mau,

sempre boas porque incapazes de ser de outro modo:
– quatro; enfim, talvez cinco,

prontas a admirar sem inveja:
– dezoito,

induzidas em erro
por uma juventude afinal tão efémera:
– mais ou menos sessenta,

com quem não se brinca:
– quarenta e quatro,

vivendo sempre angustiadas
em relação a alguém ou a qualquer coisa
– setenta e sete,

dotadas para serem felizes:
– no máximo vinte e tal,

inofensivas quando sozinhas
mas selvagens quando em multidão:
– isso, o melhor é não tentar saber nem mesmo aproximadamente,

prudentes depois do mal estar feito:
– não mais do que antes,

não pedindo nada da vida excepto coisas:
– trinta, mas preferia estar enganada,

encurvadas, sofridas,
sem uma lanterna que lhes ilumine as trevas
– mais tarde ou mais cedo, oitenta e três,

justas
– pelo menos trinta e cinco, o que já não é nada mau,

mas se a isso juntarmos o esforço de compreender
– três,

dignas de compaixão:
– noventa e nove,

mortais:
– cem por cento,

número que, de momento, não é possível alterar.”

By Wislawa Szymborska

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